Revista de Gestão Revista de Gestão
Revista de Gestão 2017;24:325-35 - Vol. 24 Núm.4 DOI: 10.1016/j.rege.2017.07.004
Recursos Humanos e Organizações
Sessão especial - Fast Track SEMEAD: Potencialidades e desafios na articulação entre a memória e a aprendizagem organizacional: o Centro de Memória Bunge
Potentialities and challenges in the articulation between memory and organizational learning: the Bunge Memory Center
Franciele Aline Parrilla, Márcio Ogliara, João Paulo Bittencourt,
Universidade de São Paulo, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, São Paulo, SP, Brasil
Recebido 08 Janeiro 2017, Aceitaram 17 Julho 2017
Resumo

A memória organizacional é um conceito central nas teorias de gestão do conhecimento e aprendizagem organizacional, pois o armazenamento de novos conhecimentos e seu uso são componentes‐chave da aprendizagem organizacional. Pouco se sabe sobre o uso dos centros de memória com objetivo de promover aprendizagem organizacional. Por isso, este artigo teve como objetivo analisar a articulação entre a memória organizacional e aprendizagem organizacional por meio da análise da atuação do Centro de Memória Bunge. Foi conduzido um estudo de abordagem qualitativa, tendo como objeto de estudo o Centro de Memória Bunge, um dos mais consolidados do país, com mais de 20 anos de atuação. Foram coletados dados por meio de entrevistas, documentos e acesso ao acervo. Entre as potencialidades do CMB para a AO, destaca‐se a necessidade de ampliação da política de difusão interna, assim como uma mudança do mindset de fornecedor de informações que são acessadas em situações pontuais para tornar‐se um centro disseminador de informação em caráter estratégico. O CMB se destaca na preservação de identidade, na função informativa e na dinâmica de difusão externa. Seus desafios residem nas dimensões abstratas da representação e interpretação da memória, assim como a função de controle e a difusão do conhecimento com foco nos stakeholders internos à empresa. A pesquisa facilita o entendimento da atuação de centros de memória como um elo entre a aprendizagem organizacional e a memória organizacional, articulação proposta por diversos pesquisadores, mas que tem recebido ao longo do tempo poucos esforços significativos nesse sentido.

Abstract

Organizational memory is a central concept in theories of knowledge management and organizational learning (OL), as the storage of new knowledge and its use are key components of OL. Little is known about the use of memory centers in order to promote organizational learning. Therefore, this article aimed to analyze the articulation between the organizational memory and organizational learning through the analysis of the performance of the Bunge Memory Center (BMC). A study of a qualitative approach was conducted, having as object of study the Bunge Memory Center, one of the most consolidated in the country, with more than 20 years of operation. Data were collected through interviews, documents and access to the collection. Among the potentials of the BMC for the OL, it is necessary to expand the internal diffusion policy, as well as a change in the mindset of information provider that are accessed in specific situations to become a strategic information dissemination center. The BMC stands out in the preservation of identity, the informative function and the dynamics of external diffusion. Its challenges lie in the abstract dimensions of memory representation and interpretation, as well as the control function and the diffusion of knowledge focused on internal stakeholders. The research facilitated the understanding of the performance of memory centers as a link between Organizational Learning and Organizational Memory, articulation proposed by several researchers, but which has received, over time, few significant efforts in this direction.

Palavras‐chave
Memória organizacional, Aprendizagem organizacional, Gestão do conhecimento, Recuperação da memória organizacional
Keywords
Organizational memory, Organizational learning, Knowledge management, Organizational memory recovery
Revista de Gestão 2017;24:325-35 - Vol. 24 Núm.4 DOI: 10.1016/j.rege.2017.07.004