Revista de Gestão Revista de Gestão
Revista de Gestão 2016;23:326-37 - Vol. 23 Núm.4 DOI: 10.1016/j.rege.2016.07.002
Gestão e Sustentabilidade
Ranking setorial do grau de evidenciação ambiental das empresas brasileiras listadas no IBrX‐100
Tops environmental disclosure degree of industry of Brazilian companies listed in IBRX‐100
Larissa Degenharta,, , Mara Vogta, Nelson Heina, Fabrícia Silva da Rosab
a Fundação Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil
b Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil
Recebido 19 Abril 2016, Aceitaram 26 Julho 2016
Resumo

Este estudo objetivou analisar o ranking setorial do grau de evidenciação ambiental das empresas brasileiras listadas no IBrX‐100. Para tanto, fez‐se uma pesquisa descritiva, documental e quantitativa, a partir de uma amostra de 97 empresas brasileiras de 2010 a 2013. A partir dos Relatórios de Sustentabilidade (RS) e Relatórios Anuais (RA) divulgados no site das próprias empresas, foram analisados cinco aspectos ambientais: emissões, efluentes líquidos, resíduos, produtos/serviço e transportes, seus devidos critérios e subcritérios. A partir dos dados coletados, usou‐se o método T‐ODA para chegar ao grau de evidenciação ambiental de cada empresa e ano. Os resultados revelam que as empresas do setor Utilidade Pública são as que mais evidenciam informações ambientais sobre os aspectos analisados. Após, tem‐se as empresas do setor Financeiro e Outros. Contudo, as empresas pertencentes aos setores Diversos e Petróleo, Gás e Biocombustíveis quase não evidenciam informações ambientais. Ressalta‐se que a empresa que mais evidenciou é a Duratex, do setor Materiais Básicos, seguida pela empresa Ecorodovias, do setor Construção e Transporte. Vale ainda salientar que 30 empresas das 97 não evidenciaram qualquer informação em seus relatórios sobre os aspectos analisados, ou então não divulgam tais relatórios. A contribuição do estudo verifica‐se a partir da evidenciação ambiental das empresas, pois ao divulgar informações ambientais para a sociedade, visam à legitimação, visto que as empresas tornam‐se legitimadas a partir do momento em que demonstram suas iniciativas para a diminuição dos impactos ambientais causados por suas atividades. Além disso, a pesquisa contribui no sentido teórico (Teoria da Legitimidade) e gerencial (vantagem competitiva), pois a partir do momento em que as empresas divulgam informações ambientais, poderão obter benefícios financeiros, assim como a sociedade, diante da qualidade de vida e do meio ambiente por meio da preservação ambiental.

Abstract

This study aimed to analyze the sectoral ranking of the degree of environmental disclosure of Brazilian listed companies in the IBrX‐100. To this end, we carried out a descriptive, documentary and quantitative research, from a sample of 97 Brazilian companies in the period from 2010 to 2013. From Sustainability Reporting (RS) and Annual Reports (RA) reported by companies on the site the companies themselves, five environmental aspects were analyzed, namely: emissions, effluents, waste, product/service and transport, their proper criteria and sub‐criteria. From the collected data, we used the T‐ODA method to reach the degree of environmental disclosure of each company and year. The results show that companies in the public utility sector are the most evident environmental information on the aspects analyzed. Then, there are the companies in the sector Financial and Other. However, companies belonging to sectors and Miscellaneous Oil and Gas hardly show environmental information. It is noteworthy that the company showed more Duratex is the Basic Materials sector, followed by Ecorodovias company's Construction and Transportation sector. It should also be noted that 30 companies of the 97 did not show any information in its report on the aspects analyzed, or else do not disclose such reports.

Palavras‐chave
Ranking, Setores, Evidenciação ambiental, Empresas brasileiras, Relatório anual e de sustentabilidade.
Keywords
Ranking, Sectors, Environmental disclosure, Brazilian companies, Annual and sustainability report
Introdução

Há uma grande movimentação social e científica sobre o comportamento das organizações diante das questões ambientais. Dessa forma, a ciência discute a melhor maneira na qual as empresas devem apresentar suas informações ambientais. Nesse sentido, diversas pesquisas científicas já foram e continuam sendo feitas para promover a avaliação de desempenho das informações ambientais, o denominado environmental disclosure (Rosa, Esslin & Esslin, 2009).

A evidenciação social e ambiental aumentou de forma considerável nos últimos 20 anos. Já a preocupação com a responsabilidade social corporativa das organizações se tornou um problema cada vez maior em diversos países. Diante disso, antes de investir, os acionistas e interessados verificam as dimensões sociais, ambientais e éticas dessas empresas (Jenkins & Yakovleva, 2006).

Nesse sentido, a base teórica que possibilita a sustentação para este estudo é a Teoria da Legitimidade, pois conforme Wilmshurst e Frost (2000), essa teoria fornece explicações sobre a motivação dos gerentes e administradores em divulgar informações de cunho ambiental nos relatórios e apresenta que os fatores externos influenciam a gestão da empresa na tentativa de buscar legitimá‐la.

Assim, os gestores evidenciam aspectos ambientais, com o intuito de moldar as impressões para as partes interessadas frente à responsabilidade da empresa para com a sociedade. Para tanto, um dos princípios dessa teoria é que as empresas apresentem para a sociedade informações acerca das questões ambientais, isto é, da forma como buscam diminuir os impactos ambientais, visto que isso é de interesse da sociedade. Além disso, a Teoria da Legitimidade surge da ideia de um contrato social entre a empresa e a sociedade e na sequência foi incorporada na literatura contábil, com vistas a explicar determinados fenômenos, assim como a evidenciação ambiental das empresas (Magness, 2006). Krespi, Utzig, Dallabona e Scarpin (2012) contribuíram ao afirmar que para que as empresas se tornem competitivas é necessário que evidenciem informações relevantes aos usuários e auxiliem na tomada de decisões. Assim, os aspectos sustentáveis podem direcionar para a continuidade das atividades das empresas. Com o intuito de apresentar para a sociedade os compromissos, as empresas podem usar diversos recursos, alguns exemplos são as campanhas e divulgações em propagandas, divulgação em relatórios específicos, revistas, entre outros. As empresas buscam cada vez apresentar mais informações sobre suas atividades a favor do meio ambiente e sociedade, para se diferenciar das demais organizações.

Clarkson, Fang, Li e Richardson (2013) complementam que a evidenciação ambiental de forma voluntária e transparente aumenta o valor da empresa e diminui o custo de capital, pelo fato de que reduz a assimetria de informação sobre o desempenho ambiental. A evidenciação revela o compromisso ambiental das organizações a partir do momento em que reduzem a poluição e melhoram a eficiência operacional, ou seja, quando forem desenvolvidos produtos que não prejudiquem o meio ambiente. Essa evidenciação ambiental permitirá aos investidores a avaliação das vantagens competitivas das empresas e de seus concorrentes.

Para tanto, o nível de evidenciação das informações ambientais reflete o grau de responsabilidade ambiental corporativa das organizações. Tendo em vista a assimetria informacional entre as partes interessadas e os altos executivos, a informação sobre as práticas ambientais pode ser facilmente modificada, o que resulta no gerenciamento de impressão.

Diante do contexto apresentado emerge a seguinte questão que norteia esta pesquisa: qual é o grau de evidenciação ambiental das empresas brasileiras listadas no IBrX‐100? Nesse sentido, com o intuito de responder essa questão, o objetivo desta pesquisa é analisar o grau de evidenciação ambiental das empresas brasileiras listadas no IBrX‐100.

O estudo justifica‐se, pois não localizou‐se estudos que tenham analisado o ranking de evidenciação ambiental das empresas brasileiras por setor. Além disso, também não foram localizadas pesquisas no âmbito internacional sobre a temática deste estudo analisada por setor de atuação das empresas. Para Oliveira, Machado e Beuren (2012), mesmo que a evidenciação ambiental deva ocorrer sempre, no Brasil a legislação não obriga as empresas a divulgarem tais informações. Contudo, há uma tendência cada vez maior, em nível mundial, na qual os investidores buscam por empresas socialmente responsáveis, sustentáveis, bem como rentáveis, para aplicar os seus recursos.

Nesse sentido, devido à falta de legislação específica, busca‐se explicar os achados da presente pesquisa por meio da Teoria da Legitimidade, pois essa teoria, na concepção de O’donovan (2002), é vista como uma das explicações para o aumento da evidenciação ambiental das empresas, pois se baseia na ideia de que para as empresas operarem com sucesso, devem agir em prol do que a sociedade institui como comportamento socialmente responsável.

Justifica‐se ainda a partir de Aburaya (2012). O autor salienta que a preocupação global com o meio ambiente e a necessidade de mais estudos sobre a criação de valor da evidenciação ambiental para os interessados aumentam cada dia mais. Isso porque a responsabilidade ambiental é vista como uma estratégia da empresa para satisfazer as expectativas dos interessados.

Evidenciação ambiental

Há um consenso na literatura contábil sobre os motivos de as empresas divulgarem informações de caráter social nos relatórios e o número de organizações que divulgam suas informações de forma voluntária é crescente (Hackston & Milne, 1996). De acordo com Buhr (1998), podem ocorrer certos problemas em relação à evidenciação ambiental, pois as empresas podem escolher o nível de evidenciação ambiental que será divulgado e tal nível pode ou não condizer com a realidade das empresas.

Nesse sentido, a evidenciação ambiental sob a ótica da Teoria da Legitimidade é a proposta deste estudo, pois nos últimos anos essa teoria tem sido dominante nas pesquisas referentes à evidenciação ambiental, pois a legitimidade ambiental divulga a empresa como ambientalmente responsável (Kuo & Chen, 2013). Conforme Deegan e Rankin (1997), a Teoria da Legitimidade é usada para explicar o grau de evidenciação ambiental das empresas divulgado nos relatórios e aborda que as empresas devem considerar os direitos da sociedade em geral e não somente dos seus investidores.

De acordo com Czesnat e Machado (2012), as empresas alcançam a legitimidade a partir do momento em que demonstram que as suas atividades organizacionais estão de acordo com os valores da sociedade. Patten (2002) salienta que a legitimidade é vista como uma função das políticas públicas, visto que mudanças nas políticas podem influenciar a divulgação social. Desse modo, há uma forte relação entre a Teoria da Legitimidade e as divulgações sociais e ambientais das empresas.

Nesse contexto, a Teoria da Legitimidade é considerada a lente que analisa diversos estudos sobre evidenciação ambiental das empresas, pois pode‐se usar essa teoria para explicar as reações das empresas diante das ameaças à sua legitimidade. Para tanto, a evidenciação ambiental é considerada um mecanismo para as empresas satisfazerem de certa forma as pressões externas. Segundo Lu e Abeysekera (2014), essa teoria postula sobre o que a sociedade em geral espera das empresas. Freedman e Patten (2004) ressaltam, frente à Teoria da Legitimidade, que as empresas podem usar dados ambientais para compensar e até mesmo diminuir os aspectos negativos de outras informações ou atividades da empresa.

Diante disso, a evidenciação social e ambiental pode agregar valor às empresas. Entretanto, percebe‐se que não é a mesma realidade que se encontra em cada empresa, o que dificulta a padronização e comparação da evidenciação das empresas por parte dos interessados (Borges, Rosa & Ensslin, 2010). Dessa maneira, as empresas, para ser bem‐sucedidas, devem se engajar em boas ações, anexar em seus relatórios as informações sociais, ambientais e o comportamento ético no que diz respeito ao meio ambiente. Um fator que contribui para a obtenção de prêmios ambientais é o nível da evidenciação ambiental (Hassan & Ibrahim, 2012).

De acordo com Iatridis (2013), a evidenciação ambiental deve incluir os impactos em relação ao meio ambiente no futuro das empresas, bem como os riscos e as incertezas, as receitas ou despesas, as políticas que estão de acordo com as questões ambientais. Contudo, as informações devem estar descritas conforme os princípios de contabilidade e devem preencher os requisitos da regulamentação contábil.

Said, Omar e Abdullah (2013) complementam que é a partir da evidenciação ambiental que é demonstrado se as atividades apresentam impacto ao meio ambiente, se as empresas seguem as leis ambientais, os regulamentos, as políticas, se oferecem programas ambientais para a proteção dos recursos naturais. Diante disso, quanto maior for a participação de uma empresa em atividades ambientais, maior será sua divulgação ambiental.

A evidenciação é compreendida ainda como a maneira com que as empresas atendem às demandas sobre as informações ambientais dos interessados. Essas informações normalmente são divulgadas nos sites das empresas ou por meio de relatórios (Relatório Anual [RA], Relatório de Sustentabilidade [RS], dentre outros). Tendo em vista que a legitimidade é construída e mantida a partir das ações da empresa, adotar a evidenciação ambiental é uma boa forma para gerenciar as impressões da sociedade e garantir a continuidade dos negócios (Silva, Vicente, Pfitscher & Rosa, 2013).

Murcia e Santos (2009), em seu estudo, objetivaram identificar os fatores que explicam o nível de evidenciação voluntária das companhias abertas brasileiras em 2007 por meio da técnica de análise de conteúdo. Os resultados revelaram que as empresas maiores, pertencentes ao setor elétrico, apresentam um maior nível de evidenciação ambiental voluntária. Além disso, destacaram que a regulação setorial, especificamente no setor elétrico, também é um fator significativo para explicar o nível de disclosure voluntário dessas empresas.

Por fim, Boff (2007) destaca que o fato de as empresas divulgarem informações ambientais e sociais em seus relatórios pode estar relacionado à necessidade de buscar alcançar a legitimidade, ou então manter a sua legitimidade já reconhecida pela sociedade por meio de suas atividades frente ao meio ambiente.

Metodologia

Diante do objetivo de analisar o ranking setorial do grau de evidenciação ambiental das empresas brasileiras listadas no IBrX‐100, fez‐se uma pesquisa descritiva, documental e com abordagem quantitativa.

População e amostra

A população da pesquisa é composta por todas as empresas listadas no Índice Brasil 100 (IBrX‐100) da BM&FBovespa, isto é, 100 companhias. Contudo, ressalta‐se que pelo fato de as empresas Bradesco, Klabin e Oi estarem listadas duas vezes, a amostra do estudo compreendeu 97 empresas brasileiras listadas na Bovespa, pertencentes ao IBrX‐100.

Coleta e análise dos dados

Foram verificados todos os RA e RS, divulgados pelas empresas da amostra de 2010 a 2013, as informações sobre Emissões, Efluentes, Resíduos, Produtos/Serviços e Transportes. Para tanto, os dados coletados alimentaram uma planilha do software Excel, na qual constavam os aspectos, critérios e subcritérios, a descrição de cada um desses, bem como os níveis de divulgação que foram verificados em cada relatório de cada empresa analisada.

Esses critérios e subcritérios apresentam diferentes escalas ordinais para expressar ordem entre os níveis, conforme o desempenho a ser medido em cada critério, o que possibilita a atribuição de até oito níveis distintos. Destaca‐se que os níveis e as escalas, foram criados a partir da interpretação de todas as informações apresentadas sobre cada aspecto analisado nas diretrizes do GRI (2013). As escalas variam de 1 a no máximo 8, a depender do aspecto, critério e subcritério, visto que alguns necessitam de escalas diferenciadas entre si, tendo em vista que são informações distintas. Para facilitar o entendimento sobre os aspectos ambientais verificados e respectivos níveis de evidenciação das empresas, apresenta‐se a figura 1 com os aspectos, critérios e subcritérios e sua devida mensuração e escala.

Figura 1.
(0.41MB).

Indicadores de Evidenciação Ambiental

Fonte: Crespo Soler et al. (2011).

Como pode ser verificado a partir da figura 1, cada uma das cinco categorias apresentadas e que foram analisadas (Emissões, Efluentes, Resíduos, Produtos/Serviços e Transportes) é composta por outros critérios e subcritérios considerados relevantes para os especialistas, levam em consideração as diretrizes do GRI, para se avaliar a evidenciação ambiental das empresas. Ainda, nota‐se que esses critérios e subcritérios apresentam diferentes escalas ordinais para expressar ordem entre os níveis, conforme o desempenho a ser medido em cada critério, o que possibilita a atribuição de até oito níveis distintos. Para tanto, usou‐se o modelo criado por Crespo Soler, Ripoll‐Feliu, Rosa e Lunkes (2011) como um instrumento para se mensurar o grau de evidenciação ambiental das empresas.

Na planilha eletrônica de Excel, preencheu‐se, ao lado de cada critério e subcritério, o nível verificado. A análise dos níveis para cada empresa foi feita em cada ano analisado e referente a cada RS e RA de forma separada.

Após verificar e preencher os níveis de evidenciação das empresas sobre os aspectos analisados tanto no RA quanto no RS, os dados foram tabulados de acordo com o nível de N1 a N8 para 1 a 8. Na sequência, foram somados os níveis dos Relatórios Anuais com os de Relatórios de Sustentabilidade de cada empresa para se obter o peso, ou seja, o grau de evidenciação ambiental de cada empresa e, em cada ano, a partir do método de análise multicritério Trade‐Off Decision Analysis (T‐ODA).

Esse método baseia‐se em três princípios: a construção de hierarquias, o estabelecimento de prioridades sob determinado foco ou critério e a observação da consistência lógica e absoluta. Diante disso, é preciso inicialmente estabelecer a importância que cada critério tem e em seguida comparar com os demais (Meireles & Sanches, 2009).

Para construir e usar um modelo que estabelece prioridades, como o T‐ODA, deve‐se atender às seguintes etapas: especificação do objetivo; definição de critérios; definição da função objetivo; comparação pivô; comparação de acordo com os critérios; ponderação consistente com os critérios; peso relativo dos fatores; e o cálculo da função objetivo e da escolha (Meireles & Sanches, 2009).

Para os autores, ponderar os critérios é fundamental, indiferentemente do método que se usa. Na quarta etapa, isto é, na comparação pivô, o peso dos critérios é usado para determinar a avaliação das opções. Contudo, vale ressaltar que nem sempre é fornecida ao tomador de decisões a informação com a modificação provável no resultado quando alterados os parâmetros iniciais. A ponderação desses critérios é feita a partir de uma escala Trade Off e deve‐se comparar um critério considerado o pivô com os demais critérios. Para esses outros critérios é estabelecido um peso comparativo ao critério pivô (Meireles & Sanches, 2009).

Se por acaso a empresa não tivesse divulgado seus RS e RA, considerou‐se que essa tivesse um nível de divulgação igual a 1 (N1), isto é, o menor nível de evidenciação, o que é considerado um nível comprometedor de evidenciação ambiental para todos os critérios e subcritérios.

Para a análise dos dados, as empresas foram divididas por setores, para assim atingir o objetivo e, consequentemente, responder ao problema da pesquisa. A partir da tabela 1 apresentam‐se os setores e a quantidade de empresas analisadas que compõem cada setor.

Tabela 1.

Setores e quantidade de empresas

Setor  Quantidade  Frequência (%) 
Bens Industriais  6,19 
Consumo Não Básico  6,19 
Consumo Não Cíclico  10  10,31 
Construção e Transporte  15  15,46 
Consumo Cíclico  5,15 
Diversos  5,15 
Financeiro e Outros  18  18,56 
Materiais Básicos  11  11,34 
Petróleo, Gás e Biocombustíveis  3,09 
Telecomunicação  4,12 
Utilidade Pública  14  14,43 
Total  97  100 

Fonte: Dados da pesquisa.

Destaca‐se que a maior parte das empresas é do setor Financeiro e Outros, seguido do setor Construção e Transporte e Utilidade Pública. Já a menor parte das empresas compõe os setores Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Telecomunicação, Consumo Cíclico, Diversos, Bens Industriais e Consumo Não Básico.

Resultados

Nesta seção apresenta‐se inicialmente a quantidade de relatórios (RS e RA e relatório unificado) divulgados pelas empresas analisadas nos quatro anos (2010 a 2013). Em seguida, evidencia‐se o escore (grau) obtido por meio do método T‐ODA anual e a classificação final das empresas, tanto geral quanto do setor. Vale ressaltar que as empresas foram divididas conforme o setor de atuação.

A tabela 2 apresenta a quantidade de relatórios: Relatório de Sustentabilidade (RS), Relatório Anual (RA) e Relatórios de Sustentabilidade e Anual (RS/RA) unificado, para os quatro anos analisados.

Tabela 2.

Relatório de Sustentabilidade e Relatório Anual

Relatórios  2010  2011  2012  2013 
RS  25  27  31  20 
RA  32  26  28  17 
RS/RA  14  16 
Total  63  61  73  53 
Total: Relatórios com informações ambientais  51  51  54  47 

RA, relatório anual; RS, relatório de sustentabilidade; RS/RA, relatórios de sustentabilidade e anual unificado.

Fonte: Dados da pesquisa.

Pode‐se notar por meio da tabela 2 que o ano em que mais empresas evidenciaram os seus relatórios foi 2012, pois 31 empresas divulgaram seus RS, 28 o RA e 14 o relatório unificado. Já 2013 foi o ano em que houve a menor quantidade de relatórios divulgados, isto é, 20 Relatórios de Sustentabilidade, 17 Relatórios Anuais e 16 relatórios unificados.

Esse resultado vai de encontro à afirmativa de Jenkins e Yakovlena (2006), visto que destacaram que a evidenciação social e ambiental aumentou de forma considerável nos últimos 20 anos. Ainda, Aburaya (2012) salienta que a preocupação com o meio ambiente e a necessidade de mais estudos de evidenciação ambiental aos interessados aumentam cada dia mais.

Contudo, o que pode‐se notar é que, no geral, nas empresas brasileiras houve uma diminuição da divulgação dos relatórios ambientais analisados. Apenas é possível verificar um pequeno aumento em 2012, porém em 2013 a queda foi ainda maior. Para tanto, diante das informações apresentadas nos relatórios verificados foi possível obter o escore a partir do método de análise multicritério T‐ODA, no qual obteve‐se o grau de evidenciação ambiental dessas empresas analisadas.

A partir do ranking de evidenciação ambiental anual obtido por meio do método T‐ODA, elaborou‐se o ranking geral das empresas e do período. Para constituir esse ranking geral, verificou‐se a evolução das organizações durante os quatro anos analisados por meio do sistema de pontos corridos.

Com base nos pontos corridos, será obtido o ranking final, esse que confere as primeiras posições às empresas com pontuação elevada e, consequentemente, as últimas posições no ranking são preenchidas pelas empresas que apresentaram baixa pontuação. A partir da tabela 3, apresenta‐se o ranking das empresas analisadas do setor de Bens Industriais em relação à evidenciação ambiental nos quatro anos analisados e o ranking final.

Tabela 3.

Ranking do setor Bens Industriais

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Embraer  52  2,2896  16  2,0563  22  2,1693  18  23 
Weg  1,1986  43  2,0636  20  1,9595  25  1,7577  33  29 
Marcopolo  52  1,7801  26  1,4614  42  1,9337  29  38 
Randon Part.  52  1,688  31  1,8936  28  48  44 
Valid  52  1,4945  35  55  48  59 
Iochp‐Maxion  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental23,75

Fonte: Dados da pesquisa.

É possível verificar por meio da tabela 3 que, dentre as empresas do setor bens industriais, a Embraer é a que mais se destacou no ranking geral de evidenciação ambiental, ou seja, foi a empresa que mais divulgou os aspectos analisados, apresentou a 23ª posição no ranking de todas as empresas e setores e a 1ª colocação no ranking do setor de bens industriais. Em 2010 a empresa não apresentou informações em seus RS e RA. Da mesma forma, a Marcopolo também apresentou informações sobre os aspectos analisados em três dos quatro anos.

Já a Weg, 2ª colocada no ranking das empresas desse setor, apresentou informações ambientais sobre emissões, efluentes, resíduos, produtos/serviços e/ou transporte nos quatro anos analisados. Ainda, destaca‐se que a Iochp‐Maxion não evidenciou informação ambiental em seus relatórios nesse período, apresentou a última posição no ranking final de todos os setores, bem como no ranking por setor. Na tabela 4 é apresentado o ranking de evidenciação ambiental do setor de Consumo Não Básico.

Tabela 4.

Ranking do setor Consumo Não Básico

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
BRF Brasil F.  3,2604  3,0056  3,3789  48  13 
JBS  1,2542  40  1,4042  39  2,6958  3,476  17 
Marfrig  1,1554  48  1,0586  49  2,0257  23  2,0372  22  35 
Cosan  52  52  1,8947  27  1,9844  26  42 
Minerva  52  1,4888  36  55  48  60 
M. Dias Branco  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental30,12

Fonte: Dados da pesquisa.

Em relação as empresas listadas na tabela 4, a BRF Brasil Foods ficou na primeira posição do ranking do setor consumo não básico (alimentos processados) e na 13ª colocação no ranking geral final das empresas analisadas. Contudo, destaca‐se que a empresa em 2013 não evidenciou informação sobre os aspectos analisados. JBS e Marfrig, 17ª e 35ª colocadas respectivamente no ranking geral, apresentaram informações nos quatro anos, contudo menos informações do que a primeira posicionada no ranking desse setor, ou seja, a BRF. Novamente, uma empresa desse setor não apresentou informação sobre os aspectos ambientais analisados. Por meio da tabela 5 é possível visualizar o ranking de evidenciação ambiental do setor Consumo Não Cíclico.

Tabela 5.

Ranking do setor Consumo Não Cíclico

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
P. Açúcar  2,884  3,0602  2,578  10  3,2265 
Natura  2,1617  15  2,8144  2,9553  2,3243  14 
Souza Cruz  1,6338  29  52  2,2028  16  2,5975  12  24 
Ambev  4,8399  2,9477  55  48  26 
Hypermarcas  1,1554  47  1,0798  45  1,0937  51  1,7488  34  49 
Dasa  52  52  0,8693  54  1,2724  41  62 
Raia Drogasil  52  52  55  48  68 
Petropar  52  52  55  48  68 
Odonto Previ.  52  52  55  48  68 
Quali Corp.  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental43,45

Fonte: Dados da pesquisa.

A partir da tabela 5 verifica‐se que das 10 empresas desse setor, consumo não cíclico, apenas seis evidenciaram alguma informação sobre os aspectos analisados. As empresas desse setor representam o comércio de distribuição, produtos de higiene pessoal e limpeza, fumo, bebidas, saúde, comércio e distribuição, setor químico, têxtil e agroflorestal.

A Pão de Açúcar ficou na 1ª posição do ranking do setor e na 4ª colocação no ranking geral das 97 empresas, ou seja, uma empresa que apresenta muitas informações sobre os cinco aspectos analisados. A Natura foi a 2ª mais bem posicionada no ranking do setor e a 7ª com maior evidenciação de todas as empresas analisadas nos quatro anos. Destaca‐se que ambas as empresas, bem como a Hypermarcas, apresentaram informações ambientais nos quatro anos analisados. A seguir, na tabela 6 é apresentado o ranking de evidenciação ambiental do setor Construção e Transporte.

Tabela 6.

Ranking do setor Construção e Transporte

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Ecorodovias  3,669  3,022  3,1233  3,413 
Even  1,8702  24  2,6339  11  2,256  14  2,3051  15  14 
CCR  1,9908  19  1,4067  38  2,1513  18  1,8427  31  22 
Gol  1,8121  25  1,5283  33  55  48  46 
Rossi Resid.  1,6881  27  52  55  48  51 
MRV  1,1677  45  1,2082  42  1,1214  50  48  54 
Cyrela Realty  1,1554  46  1,0586  48  0,8693  53  1,4921  39  55 
Gafisa  1,1319  50  52  55  48  65 
ALL Am. Lat. Log.  1,1225  51  1,0305  51  55  48  65 
Arteris  52  52  55  0,8865  46  65  10 
Brookfield Incorp.  52  52  55  48  68  11 
Eztec  52  52  55  48  68  11 
Mills  52  52  55  48  68  11 
PDG Realt.  52  52  55  48  68  11 
LLX Log  52  52  55  48  68  11 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental46,95

Fonte: Dados da pesquisa.

Na tabela 6 pode‐se notar que, das 15 empresas desse setor, seis não evidenciaram informação sobre os aspectos analisados. Contudo, a Ecorodovias ficou em destaque no ranking final de todas as empresas analisadas e na 1ª posição no ranking do setor. Entende‐se que é uma empresa preocupada com o meio ambiente e sociedade e que evidencia suas informações ambientais em seus relatórios, com vistas a legitimar sua transparência.

Tendo em vista que a legitimidade é construída, bem como mantida, por meio das ações das organizações, adotar a evidenciação ambiental é uma das maneiras essenciais para gerenciar as impressões frente à sociedade e garantir que haja continuidade nos negócios (Silva et al., 2013). Além disso, Krespi et al. (2012) contribuem e afirmam que para que as empresas se tornem competitivas é preciso que evidenciem o máximo de informações relevantes aos interessados, o que auxilia na tomada de decisões. A partir da tabela 7 evidencia‐se o ranking do setor Consumo Cíclico que abrange o comércio e empresas de tecido, vestuário e calçados.

Tabela 7.

Ranking do setor Consumo Cíclico

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Lojas Renner  1,2806  37  1,0748  46  1,9484  26  3,1769  27 
Lojas Americanas  1,1677  44  1,0745  47  1,1581  49  48  57 
Magazine Luiza  52  52  1,2215  48  48  63 
B2W Digital  52  52  55  48  68 
Cia Hering  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental12,10

Fonte: Dados da pesquisa.

Por meio desse ranking verifica‐se que a empresa que mais evidenciou foi a Lojas Renner, ficou na 27ª posição no ranking geral de evidenciação ambiental. Já a Lojas Americanas não evidenciou informação ambiental em 2013 e as demais não apresentaram em seus relatórios nos quatro anos analisados informações sobre os aspectos analisados.

Dessa forma, percebe‐se que esse é um setor que não demonstra muita preocupação em relação ao meio ambiente. Borges et al. (2010) frisam que a evidenciação social e ambiental pode agregar valor às empresas, mas é notável que não é a mesma realidade que se encontra nas empresas. Devido a esse fator, dificulta a padronização e comparação da evidenciação das organizações por parte dos interessados. Na tabela 8 apresenta‐se o ranking do setor Diversos.

Tabela 8.

Ranking do setor Diversos

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Estácio Part.  52  52  1,5712  39  1,3026  40  53 
Anhanguera  52  52  55  48  68 
Kroton  52  52  55  48  68 
Localiza  52  52  55  48  68 
Multiplus  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental2,87

Fonte: Dados da pesquisa.

A partir dos dados da tabela 8 verifica‐se que das cinco empresas listadas nesse setor apenas uma evidenciou informações ambientais de 2012 a 2013 em seu Relatório Anual e de Sustentabilidade. As demais não apresentaram informação sobre os aspectos analisados em nenhum dos anos, ou seja, percebe‐se que nesse setor há pouca preocupação por parte das empresas no que diz respeito ao meio ambiente e à sociedade. Na tabela 9 é apresentado o ranking de evidenciação das empresas do setor Financeiro e Outros.

Tabela 9.

Ranking do setor Financeiro e Outros

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
BM&FBovespa  2,8048  2,6021  12  2,4131  12  2,7756  10 
Banco Bradesco  2,0454  17  2,0913  19  1,7117  36  2,014  23  19 
Sul América  2,0198  18  1,8843  23  1,5138  41  48  33 
Banco do Brasil  1,6382  28  52  1,8013  32  2,0054  25  34 
Porto Seguro  1,4153  33  52  1,2457  46  2,4484  13  36 
Itaú Unibanco  1,4124  39  1,3382  44  1,2371  47  2,0134  24  39 
Santander BR  52  52  2,2444  15  1,7287  35  39 
Ultrapar  1,4598  32  1,5448  32  1,3699  44  48  41 
Banrisul  52  1,7849  25  1,4302  43  1,6183  38  43 
Multiplant  1,2767  38  2,0353  21  0,9599  52  48  44  10 
Itausa  1,2666  34  1,1124  41  55  1,073  44  48  11 
Valetron  1,3698  36  1,3863  40  55  48  50  12 
Cielo  52  52  1,7824  34  48  55  13 
Iguatemi  52  52  55  48  68  14 
BR Malls Particip.  52  52  55  48  68  14 
BR Propert  52  52  55  48  68  14 
Bradespar  52  52  55  48  68  14 
Cetip  52  52  55  48  68  14 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental65,87

Fonte: Dados da pesquisa.

As empresas listadas nesse setor da tabela 9 são aquelas que trabalham diretamente com os Serviços Financeiros e Holdings Diversos, Seguros e Exploração de Imóveis. Verifica‐se que 13 das 18 empresas evidenciaram ao menos uma informação ambiental no período analisado. Ressalta‐se que a BM&FBovespa ficou com a 1ª posição no ranking do setor e com a 7ª colocação no ranking geral das empresas analisadas. Essa empresa, bem como os bancos Bradesco e Itaú‐Unibanco, foi a que apresentou informações sobre os aspectos analisados (emissões, efluentes, resíduos, produtos/serviços e transporte) nos quatro anos analisados. Na tabela 10 são evidenciadas as empresas do setor de Materiais Básicos e seus devidos escores e posições.

Tabela 10.

Ranking do setor Materiais Básicos

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Duratex  4,011  3,6753  2,897  3,402 
Braskem  1,9786  20  1,7136  29  3,2221  3,3818  10 
Klabin  2,3863  12  2,5596  14  1,8714  30  1,6727  36  18 
Vale  1,5793  30  1,5092  34  2,1522  17  2,1445  19  20 
Suzano Papel  1,943  21  1,7894  24  2,0188  24  48  27 
Fibria  1,8705  23  1,7055  30  1,5422  40  1,8175  32  30 
Sid Nacional  1,2299  42  1,1132  43  55  48  57 
Gerdau  52  52  55  1,6198  37  61 
MMX Miner. Met.  52  52  55  48  68 
Gerdau Met.  52  52  55  48  68 
Usiminas  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental56,81

Fonte: Dados da pesquisa.

A partir dos dados apresentados na tabela 10, sobre a evidenciação ambiental das empresas do setor materiais básicos, esse, que engloba as empresas que atuam com químicos, madeira e papel, mineração, siderurgia e metalurgia, nota‐se que a Duratex foi a 1ª colocada no ranking geral das empresas que evidenciam informações ambientais. Além disso, outra empresa que se destacou foi a Braskem, que ocupou a 10ª colocação. De 11 empresas do setor, três não evidenciaram informação ambiental analisada nos quatro anos. Na tabela 11 é evidenciado o ranking do setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.

Tabela 11.

Ranking do setor Petróleo, Gás e Biocombustíveis

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Petrobrás  2,7951  10  2,7532  10  2,1337  20  2,1783  16 
HRT Petróleo  52  52  55  48  68 
OGX Petróleo  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental9,86

Fonte: Dados da pesquisa.

Percebe‐se que das três empresas analisadas que compõem esse setor, apenas a Petrobrás evidencia informações sobre os aspectos analisados. Além disso, vale destacar que ficou entre as 10 primeiras colocadas no ranking geral, dos quatro anos analisados, ou seja, apresentou a 9ª posição. As outras duas empresas não apresentaram informação, isto é, não demonstram sua preocupação e suas ações em prol do meio ambiente. Na tabela 12 apresenta‐se o ranking de evidenciação ambiental do setor de Telecomunicação.

Tabela 12.

Ranking do setor Telecomunicação

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Tim Part.  1,472  31  1,4546  37  2,3818  13  48  32 
Oi  52  52  1,7127  35  1,8494  30  47 
Telefônica Brasil  1,1379  49  1,0507  50  1,6335  38  0,9525  45  51 
Totvs  52  52  55  48  68 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental13,65

Fonte: Dados da pesquisa.

A partir dos dados da tabela 12, nota‐se que somente a Totvs não apresentou informação sobre os aspectos analisados em nenhum dos anos. Além disso, a Telefônica Brasil foi a única que evidenciou dados ambientais analisados nos quatro anos. Destaca‐se ainda que nenhuma das empresas apresentou um escore, ou seja, grau de evidenciação ambiental alto, visto que a primeira empresa do setor ocupa a 32ª posição no ranking final, que contempla todas as empresas analisadas. Na tabela 13 pode‐se verificar o ranking de evidenciação ambiental das empresas do setor Utilidade Pública (Energia Elétrica e Água Saneamento).

Tabela 13.

Ranking do setor Utilidade Pública

Empresas2010201120122013Ranking final  Ranking setor 
Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Escore  Posição  Posição  Posição 
Energias BR  3,6463  3,4816  2,7618  3,0298 
Copel  3,3301  3,5445  2,5144  11  2,6049  11 
Cemig  2,113  16  2,0971  18  2,925  3,4886 
AES Tietê  2,8054  2,5774  13  2,1483  19  2,1717  17  10 
Eletrobrás  1,2503  41  2,414  15  3,1655  3,8811  12 
Copasa  2,3085  14  2,9639  2,0736  21  1,1165  42  15 
Eletropaulo  2,4661  11  1,7516  27  1,8767  29  2,128  20  16 
CPFL Energia  1,9108  22  1,9214  22  1,7116  37  2,0655  21  21 
Tractebel  2,3342  13  2,1899  17  1,7835  33  0,8718  47  25 
Sabesp  1,7421  26  1,7419  28  1,3302  45  1,963  27  31  10 
Light  1,3814  35  52  1,846  31  1,9431  28  37  11 
Taesa  52  52  55  1,094  43  64  12 
Eneva  52  52  55  48  68  12 
Equatorial  52  52  55  48  68  12 
Total do Grau de Evidenciação Ambiental100,47

Fonte: Dados da pesquisa.

Percebe‐se, com base nos dados acima, que quatro das 14 empresas estão entre as 10 que mais evidenciaram informações ambientais sobre emissões, efluentes, resíduos, produtos/serviços e transporte no período de quatro anos, ou seja, de 2010 a 2013: Energias BR, Copel, Cemig e AES Tietê. Duas empresas não apresentaram informação ambiental nos quatro anos analisados. Esse setor merece destaque, pois apresentou o maior grau de evidenciação ambiental, quando somadas todas as empresas que o compõem.

Os achados da presente pesquisa vão ao encontro dos resultados obtidos por Murcia e Santos (2009). Os autores verificaram que as empresas pertencentes ao setor elétrico apresentam um maior nível de evidenciação ambiental voluntária e destacaram que a regulação do setor, especificamente no setor elétrico, é um fator significativo para explicar esse nível de evidenciação voluntária.

Discussão

Conforme Brown e Deegan (1998), a legitimidade é o estado ou a condição na qual a empresa se encontra diante da sociedade. Por outro lado, a legitimação refere‐se a um processo desenvolvido pelas empresas, a partir de estratégias de divulgação, para levar as empresas a esse estado, isto é, a legitimidade. Desse modo, nota‐se que muitas empresas da amostra analisada buscaram alcançar a legitimidade frente à sociedade, pois divulgaram informações ambientais nos seus relatórios, conforme constatado na pesquisa.

Frente a essa questão de legitimidade, são apresentados sucintamente os resultados desta pesquisa. No que tange o setor de Bens Industriais, a Embraer se destacou no ranking. No entanto, em 2010 não divulgou informações ambientais para a sociedade por meio dos relatórios ambientais. No setor de Consumo não Básico, obteve destaque a BRF Brasil Foods em relação à evidenciação ambiental, visto que divulgou informações sobre os aspectos ambientais analisados: emissões, efluentes, resíduos, produtos/serviço e transporte. Contudo, em 2013 não divulgou informação. Esse fato demonstra que as empresas, apesar da baixa evidenciação ambiental, estão demonstrando suas ações para a sociedade, o que corrobora a questão da Teoria da Legitimidade tratada por Pellegrino e Lodhia (2012), pois ressaltam que essa teoria aborda uma relação entre a evidenciação ambiental das empresas e as expectativas da sociedade e fornece, dessa forma, uma explicação para as divulgações das empresas frente os termos que são apresentados no contrato social. No entanto, as empresas analisadas necessitam melhorar a sua evidenciação ambiental, com vistas a elevar as suas práticas de legitimação, para posteriormente alcançar a legitimidade perante a sociedade.

Em relação ao setor de Consumo não Cíclico, os resultados demonstraram que entre as 10 empresas desse setor, apenas seis divulgaram informações ambientais analisadas na pesquisa. No setor de Construção e Transporte o cenário foi diferente, visto que das 15 empresas que compõe esse segmento na BM&FBovespa, seis não apresentaram informação ambiental em seus Relatórios de Sustentabilidade e Relatórios Anuais. O setor Financeiro e Outros também apresentou uma evidenciação ambiental boa, visto que das 18 empresas desse setor, 13 divulgaram informações de cunho ambiental. Além disso, o setor de Utilidade Pública apresentou baixa evidenciação dos aspectos ambientais analisados. Esse achado revela que dentre os motivos para a baixa constatação de divulgação ambiental nos relatórios está a visão dos gestores sobre a importância desse processo, tanto para as empresas quanto para a sociedade. Conforme Deegan, Rankin e Tobin (2002), a visão das empresas, bem como a escolha das estratégias de legitimação, é baseada na percepção dos gerentes e gestores, pois esses estão propensos a ter ideias diferentes sobre o que a sociedade espera da empresa e se essa está de acordo e atende de fato às expectativas da sociedade. Por outro lado, também deve ser analisada a questão da baixa evidenciação ambiental nos argumentos de Patten (1992), pois salientam que ameaças à legitimidade em relação aos dados ambientais fazem com que as empresas não divulguem informações sobre a responsabilidade social corporativa nos relatórios ambientais. Nota‐se que as empresas podem se posicionar de diversas formas frente à não evidenciação ambiental. Contudo, essa questão é cada vez mais explorada na academia e reflete também as práticas das organizações no mercado acionário.

O setor de Consumo Cíclico apresentou baixa evidenciação ambiental, pois apenas duas empresas divulgaram informações nos seus relatórios. Outros setores com baixa evidenciação ambiental foram Diversos, Petróleo, Gás e Biocombustíveis, pois uma empresa divulgou os aspectos ambientais analisados. A partir desse resultado, nota‐se que as empresas do setor de Consumo Cíclico enfrentam menos pressão da sociedade, pois, de acordo com Cho e Roberts (2010) a Teoria da Legitimidade sugere que a evidenciação acontece em função da pressão social, bem como a política que é enfrentada pelas empresas. Segundo essa perspectiva teórica, as empresas são mais pressionadas e isso irá refletir na divulgação nos relatórios. Desse modo, a teoria aborda que a exposição da empresa diante da sociedade leva as empresas a polirem sua imagem no cenário global.

No setor de Materiais Básicos a Duratex se destacou no ranking geral. Esse fato pode ser explicado conforme o Relatório de Sustentabilidade dessa empresa, visto que divulga informações sobre emissões, efluentes, resíduos, produtos/serviços e transporte. Além disso, apresentou no relatório outras informações importantes para a sociedade, tais como que possui 271 mil hectares de área florestal no Brasil, apresenta redução de 6,6% no consumo de água, 8,5% nas emissões diretas de gases de efeito estufa e 32,1% na destinação de resíduos para aterros.

Destaca‐se a Telefônica Brasil do setor de Telecomunicações, pois divulgou informações ambientais nos quatro anos analisados. Andrikopoulos e Kriklani (2013) ressaltam que o uso eficiente dos recursos naturais está atrelado à criação de valor e acumulação de riqueza. Contudo, a criação de valor de forma sustentável repousa sobre a legitimidade das atividades que apresentam fins lucrativos. Nesse sentido, esse resultado demonstra a preocupação dessa empresa com as questões ambientais, pauta‐se esse achado com os argumentos de García‐Sánchez, Frías‐Aceituno e Rodríguez‐Domínguez (2013), pois destacam que a crescente preocupação com os impactos da empresa na sociedade e meio ambiente levou essa a exigir das empresas um comportamento social responsável sobre as questões ambientais.

Por fim, destaca‐se que no período analisado as empresas não divulgaram muitas informações ambientais, o que revela que a questão ambiental ainda necessita ser melhorada nas empresas analisadas. No entanto, Trierweiller, Peixe, Tezza, Bornia e Campos (2013) salientam que o desafio da preservação ambiental aumentou e força as empresas a melhorarem a evidenciação ambiental. Para tanto, as empresas em todo o mundo necessitam melhorar e preocupar‐se com a preservação ambiental e com a restauração dos recursos naturais.

Considerações finais

A partir dos resultados pode‐se notar que não há um padrão de divulgação ambiental por parte das empresas em seus relatórios, visto que algumas evidenciam muitas informações ambientais, sobre todos os aspectos analisados, todos os anos. Já outras empresas nem sequer elaboram ou divulgam seus relatórios ambientais. Isso pode ser explicado pelo fato de que no Brasil ainda é considerada voluntária.

Isso pode ser confirmado por Oliveira et al. (2012), quando afirmam que no Brasil a legislação não obriga as empresas a divulgarem informações ambientais. Contudo, para Clarkson et al. (2013), a evidenciação ambiental de forma voluntária e transparente aumenta ainda mais o valor da empresa e reduz o custo de capital da empresa, pois reduz a assimetria informacional em relação ao desempenho ambiental.

Em resposta ao problema de pesquisa, verificou‐se que ao se analisarem as empresas de cada setor, há diferença na posição geral, se considerados todos os setores e empresas analisadas. Como exemplo têm‐se Petrobrás, HRT Petróleo e OGX Petróleo do setor Petróleo, Gás e Biocombustíveis, pois a primeira ficou na 9ª posição no ranking geral e as outras duas não apresentaram informação ambiental, ou seja, ficaram na 68ª colocação. Na maioria dos setores analisados houve uma leve diferença de uma empresa para a outra.

Destaca‐se que os setores que apresentaram as empresas que mais evidenciaram informações ambientais sobre os aspectos analisados de 2010 a 2013, ou seja, as que ficaram entre as 10 que mais divulgaram, são: Consumo Não Cíclico, Construção e Transporte, Financeiro e Outros, Materiais Básicos, Petróleo, Gás e Biocombustíveis e ainda, Utilidade Pública. Desses setores, a maior quantidade de empresas entre as 10 primeiras colocadas é do setor Utilidade Pública. Além disso, deve‐se ressaltar que, se somado o escore, isto é, o grau de evidenciação ambiental obtido a partir do método T‐ODA, novamente o setor de Utilidade Pública é o que apresentou mais empresas, com maior grau de evidenciação, somou 100,47. Esse setor é composto pelas empresas de Energia Elétrica e de Água e Saneamento. As empresas em destaque nesse setor foram Energias BR, Copel, Cemig e AES Tietê. Tal achado corrobora os resultados evidenciados por Murcia e Santos (2009).

Pode‐se enfatizar ainda que outro setor no qual as empresas evidenciaram mais informações sobre os aspectos ambientais analisados nos quatro anos é o Financeiro e Outros. Entretanto, têm‐se as empresas pertencentes aos setores Diversos e Petróleo, Gás e Biocombustíveis, que quase não evidenciam informações ambientais. A evidenciação ambiental das empresas reflete o grau de responsabilidade corporativa dessas organizações.

Outra informação relevante obtida por meio deste estudo é que nos setores Bens Industriais, Consumo Não Básico, Consumo Cíclico, Diversos e Telecomunicação não há empresa entre as 10 primeiras do ranking de evidenciação ambiental. Já nos setores Consumo Não Cíclico, Pão de Açúcar e Natura apresentaram a 4ª e 7ª posição, respectivamente. No setor Construção e Transporte a Ecorodovias ficou na 2ª colocação. No setor Financeiro e Outros, a BM&FBovespa também apresentou a 7ª colocação, tendo em vista o ranking por meio do sistema de pontos corridos. No que tange ao setor Materiais Básicos, Duratex e Braskem assumiram a 1ª e 10ª posição do ranking. A Petrobrás, do setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, ficou com a 9ª posição e ainda, no setor Utilidade Pública, Energias BR, Copel, Cemig e AES Tietê apresentaram a 3ª, 5ª, 6ª e 10ª posição, respectivamente. Diante disso, percebe‐se que dentre as empresas analisadas há setores que apresentam empresas com maior evidenciação de informações ambientais do que outros. Essa diferença pode indicar a seleção de informações pelo fato de as empresas buscarem transmitir uma imagem boa à sociedade, divulgam mais informações para serem legitimadas. Mas está cada vez mais difícil as empresas conseguirem alcançar essa legitimidade. Contudo, se conseguirem evidenciar o máximo de informações em relação às suas ações ambientais, tanto nos Relatórios de Sustentabilidade quanto nos Relatórios Anuais, será possível alcançar a legitimidade de forma mais rápida. Ressalta‐se que alguns setores, até por terem uma regulamentação, como o elétrico, apresentam um resultado diferente das demais e muitas vezes esse resultado, ou seja, o grau de evidenciação, decorre do interesse que algumas empresas têm de se tornar legitimadas frente às demais empresas do mesmo setor, em relação às demais empresas e à sociedade em geral.

Dessa forma, é relevante que as empresas, independentemente do setor e de leis e regulamentos, se preocupem mais com o meio ambiente e divulguem suas ações a favor da natureza em seus relatórios, visto que a sociedade e os investidores muitas vezes se baseiam nessas informações para investir em alguma empresa. Oliveira et al. (2012) frisam que há uma tendência cada vez maior, em nível mundial, de os investidores buscarem por empresas socialmente responsáveis, sustentáveis e rentáveis para aplicar os seus recursos. Este estudo contribui para a literatura, pois a partir dos resultados obtidos os investidores, a sociedade e os demais interessados poderão verificar os setores e as empresas que se preocupam e evidenciam mais informações sobre os aspectos ambientais analisados.

A contribuição do estudo reside no fato de que a divulgação de informações referentes aos impactos ambientais dessas empresas analisadas ficará mais visível aos investidores e demais interessados pela empresa, poderão até analisar as empresas por setores, ou seja, quais setores dão mais atenção às práticas ambientais. Além disso, órgãos reguladores e até mesmo o governo poderão exigir mais das empresas que não demonstram as suas práticas em favor do meio ambiente ou nem as têm. Isso porque as empresas que mais divulgam nos seus relatórios em relação ao meio ambiente provavelmente irão chamar mais atenção e serão mais valorizadas do que as que não têm ação a favor da natureza.

As limitações da pesquisa referem‐se à seleção da amostra, pois como não contempla todas as empresas listadas na BM&FBovespa, os resultados não podem ser generalizados para as demais empresas do mercado acionário brasileiro. Outra limitação são as variáveis usadas para análise do grau de evidenciação dos impactos ambientais das empresas brasileiras listadas no índice IBrX‐100, pois como a pesquisa centra‐se em empresas listadas nesse índice, pode haver peculiaridades quanto ao grau de evidenciação das empresas analisadas que o constructo usado pode não captar. Verifica‐se, ainda, como limitação da pesquisa, o método (T‐ODA) usado para identificar o grau de evidenciação dos impactos ambientais, de modo que o uso de outros métodos multicritérios pode produzir diferentes resultados. Sugere‐se para estudos futuros uma nova amostra, que abranja todas as empresas brasileiras listadas na BM&FBovespa; empresas de outros países para fins de comparação com este estudo; análise do grau de evidenciação ambiental nos próximos anos para verificar se houve evolução e ainda outro método estatístico.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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A revisão por pares é da responsabilidade do Departamento de Administração, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA/USP.

Autor para correspondência. (Larissa Degenhart lari_ipo@hotmail.com)
Revista de Gestão 2016;23:326-37 - Vol. 23 Núm.4 DOI: 10.1016/j.rege.2016.07.002