Revista de Gestão Revista de Gestão
Revista de Gestão.2017;24:336-47 - Vol. 24 Num.4 DOI: 10.1016/j.rege.2017.07.002
Educação em Gestão Empresarial
Sessão especial - Fast Track SEMEAD: Tem ação nessa pesquisa? Um levantamento da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa qualitativa
Is there action in this search? A survey of research‐action as a qualitative research strategy
José Glauber Cavalcante dos Santos, , Thalita Silva Calíope, José de Paula Barros Neto
Universidade Federal do Ceará, Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade, Ceará, CE, Brasil
Received 09 January 2017, Accepted 14 July 2017
Resumo

Os métodos qualitativos vêm sendo cada vez mais usados como estratégia de investigação. Como uma estratégia qualitativa, a pesquisa‐ação naturalmente detém suas origens similares àquele polo metodológico. Todavia, a pesquisa‐ação tem identidade demarcada pela ruptura com modelos pré‐concebidos, tanto no campo de estudos quantitativos, quanto no âmbito das investigações qualitativas. Este trabalho teve como objetivo descrever e discutir os principais aspectos referentes à consecução da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa nas áreas da administração e contabilidade no Brasil. Traçou‐se um panorama que revela desde a origem da pesquisa‐ação, passando pelos seus propósitos, limitações, planejamento e aplicação, inclusive o diálogo junto a outros “métodos” qualitativos. No estudo foi identificado que a pesquisa‐ação, apesar de colocada como uma estratégia central dos estudos, não necessariamente teve sua aplicação, o que sinalizaria o desconhecimento ou má aplicação dessa estratégia no campo de estudo. Muito embora existam algumas características marcantes da pesquisa‐ação, como a necessidade de envolvimento do pesquisador na resolução de um problema e com os demais participantes do projeto, ou a implantação e a manutenção de uma mudança, ainda há controvérsia sobre o que de fato é pesquisa‐ação, inclusive acerca de sua aplicação.

Abstract

Qualitative methods have been increasingly used as a research strategy. As a qualitative strategy, action research naturally holds its origins like that methodological pole. However, action research has an identity marked by the rupture with pre‐conceived models, both in the field of quantitative studies and in the scope of qualitative investigations. This work aimed to describe and discuss the main aspects related to the achievement of action research as a research strategy in the areas of administration and accounting in Brazil. A panorama has been drawn from the origin of action research to its purposes, limitations, planning and application, including dialogue with other qualitative “methods”. In this study, it was identified that action research, despite being placed as a central strategy of studies, did not necessarily have its application, which would indicate the lack of knowledge or misapplication of this strategy in the field of study. Although there are some striking features of action research, such as the need to involve the researcher in solving a problem and with other project participants, or the implementation and maintenance of a change, there is still controversy over what is in fact Action research, including about its application.

Palavras‐chave
Pesquisa‐ação, Métodos qualitativos, Estratégia de pesquisa
Keywords
Action research, Qualitative methods, Research strategy
Introdução

A pesquisa qualitativa tem natureza distinta e propósito independente em relação à pesquisa de cunho quantitativo; ela abrange aspectos que esta última não consegue abarcar. A discussão acerca de especificidades metodológicas depende da clareza dada aos elementos de cada abordagem. Como a pesquisa‐ação, foco deste estudo, pertence ao escopo qualitativo, naturalmente sua proposta metodológica herda as características que definem sua finalidade, aplicação, limitações, entre outros.

Segundo Martins e Theóphilo (2007), pesquisas quantitativas têm preocupação voltada à mensuração e, com isso, à quantificação de dados ou evidências, sendo necessário assimilar a conceituação de técnicas e métodos estatísticos. Tanto a análise como a interpretação desses dados dependem da compreensão de tais técnicas. Diante disso, o distanciamento entre o objeto estudado e o pesquisador é um aspecto associado à pesquisa quantitativa.

Ocorre que, por conta do caráter intrínseco visto em algumas pesquisas (refere‐se aqui à problemática, obviamente), aquele distanciamento citado apresenta ineficácia para avaliação de questionamentos que “valorizam” aspectos, como descrições, interpretações e análises de informações, fatos, ocorrências ou evidências, que não são captados com o uso da pesquisa quantitativa. Assim, a pesquisa qualitativa se propõe como alternativa frente ao positivismo quantitativista (Martins & Theóphilo, 2007).

Um parêntese deve ser feito sobre a “falsa dicotomia” entre as pesquisas qualitativa e quantitativa. A lacuna preenchida pela pesquisa qualitativa, somado o espectro compreendido pelo alcance da pesquisa quantitativa, proporcionou o surgimento de métodos mistos. As metodologias destacadas não são excludentes ou antagônicas. Na verdade, existem limitações que a aglutinação das pesquisas qualitativa e quantitativa pode superar (Creswell, 2010; Martins & Theóphilo, 2007; Vieira, 2004; Terence & Escrivão, 2006).

Voltando à pesquisa qualitativa, conforme Creswell (2010), ela é interpretativa, com envolvimento intensivo e sustentado do pesquisador como participante da pesquisa. Complementarmente, Martins e Theóphilo (2007) expõem que a pesquisa qualitativa pode ser denominada naturalística, porque o estudo de um fenômeno requer contato direto e prolongado do investigador com o ambiente no qual o evento pesquisado está.

Algumas características demarcam a pesquisa qualitativa, como, por exemplo, os dados coletados (predominantemente descritivos); a realização de análise indutiva (não busca provar evidências formuladas a priori); o compromisso com o entendimento do processo (verifica‐se como o fenômeno se manifesta no tempo); e a preocupação com o significado (essência dos eventos pesquisados). Tais aspectos emergem com a distinção entre os paradigmas qualitativo e quantitativo (Martins & Theóphilo, 2007). A pesquisa qualitativa ocupa‐se ainda com a problematização de questões que não são compreendidas com a generalização, os índices e a quantificação, “impostos” pela pesquisa quantitativa (Mansano, 2014).

Mello (2014) menciona que os pesquisadores costumam considerar o positivismo um “suéter reconfortante” que pode ser usado sempre que for conveniente. Indiretamente, faz‐se alusão à preferência dos pesquisadores pelo uso dos métodos quantitativos, decorrente do receio relacionado aos traços característicos do paradigma qualitativo. Outra questão a ser mencionada compreende, uma vez mais, a contraposição das pesquisas. Vieira (2004) explica que dois problemas são criados com a segregação dessas abordagens. O primeiro é a ilusão de se relacionar diretamente método a problema específico. O segundo é o não desenvolvimento de habilidades em ambos os métodos e, assim, o enfraquecimento dos métodos mistos.

Suplementando a ideia construída por Mello (2014), em prol da não expropriação dos métodos qualitativos no âmbito das pesquisas científicas, a pesquisa qualitativa tem ganhado força, tratando‐se aqui do campo da administração no Brasil, devido à preocupação (não recente) com a qualidade da produção acadêmica. Usada, majoritariamente, nas ciências sociais, percebe‐se a migração para o método qualitativo feito por demais áreas do conhecimento (entre elas a administração), porque foram superadas as barreiras da legitimidade e há algum consenso sobre a aplicação da pesquisa qualitativa (Creswell, 2010; Vieira, 2004).

A área das ciências sociais aplicadas desafia os seus estudiosos à compreensão de problemáticas relacionadas à existência humana em dimensão complexa e multifacetada, “para isso, os métodos qualitativos vêm sendo cada vez mais usados como estratégia de investigação, no intuito de acompanhar as transformações que acontecem na história, nas organizações e nas relações sociais” (Mansano, 2014, p. 120).

As diferenças expostas entre a pesquisa qualitativa e quantitativa são importantes para compreensão do polo metodológico no qual a pesquisa‐ação está inserida, sabendo‐se que tais aspectos se refletem no desenvolvimento da estratégia de pesquisa adotada em função dos objetivos que a investigação pretende alcançar. Este trabalho tem como objetivo a descrição e a discussão dos principais pontos referentes à consecução da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa para o campo da administração. Traça‐se panorama que revela desde a origem da pesquisa‐ação, passando pelos propósitos, limitações, planejamento e aplicação, inclusive seu diálogo com outros “métodos” qualitativos. Pretende ainda elaborar levantamento da matéria publicada sobre essa estratégia de pesquisa qualitativa, fazendo uma breve avaliação do cenário demonstrado nos periódicos brasileiros.

Pesquisa‐açãoA origem da pesquisa‐ação

Como pesquisa qualitativa, a pesquisa‐ação naturalmente tem suas origens similares àquele polo metodológico. Porém, a pesquisa‐ação tem identidade demarcada pela ruptura com modelos pré‐concebidos, no campo de estudos quantitativos, mas também no âmbito das investigações qualitativas.

Thiollent (1997) afirma que a proposta metodológica da pesquisa‐ação foi formulada no contexto profissional pertencente às ciências sociais aplicadas. A partir dos anos 1960, algumas vertentes foram desenvolvidas e, em primeiro momento, a atuação social e política, engajada e compromissada (ou militante) tiveram maior destaque, especialmente na América Latina. Atribui‐se a Kurt Lewin a responsabilidade pela proposição da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa, em 1946. O contexto em questão era o do pós‐guerra, havendo as características marcantes da pesquisa experimental e de campo. O trabalho de Lewin investigava os hábitos alimentares dos norte‐americanos e a mudança de atitudes em minorias, sendo que um traço de suas pesquisas se destacava: as pesquisas caminhavam em paralelo aos estudos sobre dinâmica e funcionamento dos grupos (Engel, 2000; Franco; 2005; Tripp, 2005).

Na década de 1960, por meio da área da sociologia, rapidamente a concepção de que o pesquisador precisava deixar o isolamento e emergir nos problemas investigados ganhou força porque se passou a reconhecer que através da postura supramencionada seria possível assumir as consequências dos resultados, colocando‐os em prática, e levantar inferências no curso dos acontecimentos inerentes aos eventos (Engel, 2000). Esses fatos deram impulso para que a pesquisa‐ação fosse consolidada como estratégia de pesquisa qualitativa.

Baldissera (2001, p. 5) afirma que alguns defensores da pesquisa‐ação restringem o seu uso como condição de “uma orientação de ação junto aos grupos sociais que pertencem às classes sociais populares”. Assim, a pesquisa‐ação é percebida como forma de engajamento sociopolítico com interesse na causa de classes populares, conforme o autor supracitado, convergente àquilo colocado por Thiollent (1997). Como é possível notar, a pesquisa‐ação é fortemente influenciada pelo contexto histórico no qual foi originada.

A pesquisa‐ação provém das ciências sociais, porém é empregada em diversos campos de estudo (Baldissera, 2001), quiçá pelo diálogo entre teoria e prática, incorporando‐se a ação em sua dimensão constitutiva e concedendo relevância ao processo de investigação (Miranda & Resende 2006). Dito isso, faz sentido a colocação de Franco (2005) ao afirmar que a pesquisa‐ação é empregada de distintas formas ou a partir de diversas intencionalidades, compondo vasto mosaico de abordagens teórico‐metodológicas e instigando pesquisadores a refletir sobre a essência epistemológica e as possibilidades de práxis investigativa.

Com os diferentes e diversificados contextos de aplicação, Thiollent (1997) menciona que a pesquisa‐ação acaba por encontrar problemas de orientação valorativa. Por exemplo, no contexto da atuação sociopolítica, os objetivos são compreender as implicações da ação, logo se requer uma cultura de política acessível. Outro contexto, caso do profissional, congruente com os estudos organizacionais, o problema é a não permissão de que interesses dominantes contaminem a pesquisa. Em todo caso, a influência de fatores antecedentes da pesquisa‐ação é relevante para a delimitação dos objetivos investigativos dessa estratégia de pesquisa.

Retomando Baldissera (2001), mesmo sabendo que a pesquisa‐ação é também discutida em áreas de atuação de escopo técnico‐organizativo, ela ainda é pouco conhecida no Brasil (Engel, 2000). Menelau, Santos, Castro e Nascimento (2015) fizeram um levantamento sobre pesquisa‐ação nos periódicos de administração no Brasil e concluíram a deficiência na aplicação do método. No entanto, como assevera Engel (2000), a pesquisa‐ação é extensamente explorada na literatura internacional.

Buscando ilustrar os reflexos das origens da pesquisa‐ação nos propósitos de pesquisa, como foi discutido, descreve‐se na figura 1 as bases originárias da pesquisa‐ação conforme o local de origem, segundo Thiollent (1997).

Figura 1.
(0.18MB).

Foco inicial da pesquisa‐ação: América Latina, países industrializados e Brasil.

Fonte: Elaborado a partir de Thiollent (1997).

Thiollent (1997) explica que, em países como o Brasil, ambas as visões de problemas são relevantes ao desenvolvimento de estudo nessa égide. A pesquisa organizacional, todavia, é merecedora de atenção no campo da administração – meta inerente a este trabalho, pois nela deve haver interesse por diversos grupos componentes e não apenas uma parcela restrita, caso da alta administração ou de um grupo que detenha poder legal.

Definição, objetivos e limitações do método

Uma das definições mais difundidas de pesquisa‐ação é a de Thiollent (2008, p.16):

[…] um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e feita em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.

A pesquisa‐ação é uma investigação‐ação que emprega técnicas de pesquisa para informar a ação que se decide tomar para aprimorar a prática; soma‐se a isso que as técnicas de pesquisa devem atender aos critérios comuns a outros tipos de pesquisa acadêmica (Tripp, 2005). Desse modo, para o autor, embora a pesquisa‐ação tenda a ser pragmática, distingue‐se da prática e, mesmo sendo pesquisa, distingue‐se da pesquisa científica tradicional, porque ao mesmo tempo altera o que está sendo pesquisado e é limitada pelo contexto e pela ética da prática. A pesquisa‐ação é sobre ação para a mudança e traz melhoria para um grupo. Ela ainda se constitui pesquisa, incluindo a etapa de coleta de dados informando ao grupo sobre o contexto da prática atual. Por fim, ela gera teoria sobre a, na e a partir da área de prática, conectando a teoria emergente com as teorias anteriores do campo, findando seu processo na divulgação da teoria para que outros possam dela se beneficiar (Melrose, 2001).

Baldissera (2001) explica que uma pesquisa pode ser qualificada como pesquisa‐ação quando houver uma ação por parte das pessoas implicadas no processo investigativo, sendo ela, portanto, coletiva (Macke, 2006). A justificativa para essa colaboração reside no fato de que os membros da organização conhecem melhor o contexto pesquisado. Assim, a metodologia permite que os pesquisadores mantenham o foco no problema e, conforme necessário, permite a organização tomar medidas corretivas imediatas (Adams, Hoque & Mcnicholas, 2006).

Uma pesquisa é classificada como pesquisa‐ação, conforme Thiollent (2008), quando houver uma ação não trivial e que mereça ser investigada por parte das pessoas ou dos grupos envolvidos no problema observado. Macke (2006) esclarece que é uma estratégia de pesquisa reflexiva, no sentido do engajamento dos participantes em um processo colaborativo de transformação social, no qual aprendem e mudam suas formas de engajamento. Assim, o resultado da combinação de ação com pesquisa é a superação de questões sociais e organizacionais importantes junto com os profissionais que estão enfrentando os problemas diretamente (Adams et al., 2006).

Um dos principais aspectos da pesquisa‐ação é o papel do pesquisador, que é pessoalmente responsável por alcançar um resultado do projeto que satisfaça suas ambições de investigação e que tem propriedade vital e participação definitiva no projeto (Simonsen, 2009). O pesquisador equaciona os problemas encontrados, acompanhando e avaliando as ações desencadeadas em função dos problemas (Thiollent, 2008). Ademais, o pesquisador deve ter a cautela de nutrir, com os praticantes do cotidiano, a crença na possibilidade da mudança, o diálogo constante, a solidariedade, a negociação de ideias e a possibilidade de colaboração. Esses “pressupostos” são importantes para que os resultados almejados sejam alcançados (Jesus, Vieira & Effgen, 2014).

Franco (2005) observou que no Brasil existem três conceituações de pesquisa‐ação. Quando a mudança é uma solicitação do grupo à equipe de pesquisadores, a pesquisa é nomeada como pesquisa‐ação colaborativa e a função do pesquisador é fazer parte e cientificizar um processo de mudança desencadeado pelo grupo. Se o pesquisador entende que a transformação é necessária, resultado de um processo que valoriza a construção cognitiva da experiência e para emancipar os sujeitos, então é conceituada de pesquisa‐ação crítica. Mas se a mudança é planejada, sem a participação dos sujeitos e só o pesquisador acompanhará os efeitos e avaliará os resultados, é chamada pesquisa‐ação estratégica.

Para Tripp (2005), é difícil definir a pesquisa‐ação por duas razões interligadas: é um processo tão natural que se apresenta, sob muitos aspectos, diferente; e se desenvolveu de maneira diferente para diferentes aplicações. Eden e Huxham (2001) acreditam que a pesquisa‐ação é mais bem identificada por um conjunto inter‐relacionado de características, como observado na figura 2, do que por uma definição propriamente dita.

Figura 2.
(0.76MB).

Pesquisa‐ação caracterizada.

Fonte: Adaptado de Eden e Huxham (2001).

As características da pesquisa‐ação também são expostas por Adams et al. (2006): funciona através de um processo cíclico (planejar, agir, avaliar), é participativa, é concomitante com a ação, portanto tanto os pesquisadores quanto profissionais são capazes de adquirir conhecimento através da participação no projeto, é uma sequência de eventos e uma abordagem para a resolução de problemas. Semelhantemente, Tripp (2005) mostra que a pesquisa‐ação é: inovadora, contínua, proativa estrategicamente, participativa, intervencionista, problematizada, deliberada, documentada, compreendida e disseminada.

Outro ponto relevante concernente aos predicados da pesquisa‐ação, diz respeito ao processo de aprendizagem em que, na visão de Macke (2006), o ganho do conhecimento é obtido através da observação e da avaliação das ações (definidas com os participantes) e dos obstáculos encontrados. Os frutos desse processo são mudanças reais e significativas, como o que as pessoas fazem, como as pessoas interagem com o mundo e com os outros, o que as pessoas querem dizer e o que elas valorizam (Kemmis & Mctaggart, 2007).

Adams et al. (2006) apresentam algumas limitações da pesquisa‐ação, como o desafio de combinar ação e pesquisa e a singularidade de cada projeto, sendo difícil delinear leis gerais sobre como realizá‐los. Outra desvantagem é a demora da pesquisa‐ação e o envolvimento substancial da equipe organizacional e dos pesquisadores durante o projeto. A última critica refere‐se à metodologia, pois é difícil validar os dados recolhidos e generalizar os resultados. Destaca‐se que a principal ameaça para a validade é a falta de imparcialidade do pesquisador, que está envolvido em formar e contar a história. Entre as dificuldades, Walters‐Adams (2006) aponta a falta de confiabilidade e representações do processo (diagramas) que podem confundir, em vez de esclarecer. Soma‐se a isso que a pesquisa‐ação não se propõe a resolver conflitos sociais cujas soluções dependem de ações de longo prazo (Macke, 2006).

De acordo com Simonsen (2009), há dois desafios críticos inerentes à condução de projetos de pesquisa‐ação: (i) é uma maneira muito demorada de produzir dados empíricos (alto risco de o projeto não evoluir como previsto); (ii) é pessoalmente exigente e desafiadora para o pesquisador. Outro problema, dessa vez referido por Freitas, Calbino, Santos & Pereira (2010), diz respeito ao não entendimento dos pressupostos para a prática da pesquisa‐ação, resultando no emprego equivocado do termo, usado indiscriminadamente como referência a abordagens distintas. Evidenciadas as descrições e limitações da pesquisa‐ação, a subseção seguinte mostra os procedimentos para executá‐la.

Planejamento da pesquisa‐ação

O ciclo de pesquisa‐ação, na perspectiva de Coughlan e Coghlan (2002), abrange três fases: (1) compreensão do contexto e do propósito; (2) passos principais; e (3) monitoramento. A fase inicial começa com o entendimento do contexto do projeto com os membros‐chave da organização, considerando‐se por que o projeto é necessário e quais as forças políticas, econômicas, técnicas e sociais dirigem a demanda por ação. Além disso, o pesquisador deve considerar se vale a pena estudar o projeto de ação, se a pesquisa‐ação é uma metodologia apropriada e qual a contribuição esperada na geração de conhecimento. Os passos principais (fase 2) apresentados pelos autores são indicados na figura 3.

Figura 3.
(0.4MB).

As seis etapas da pesquisa‐ação.

Fonte: Adaptado de Coughlan e Coghlan (2002).

Freitas, Calbino, Santos & Pereira (2010) adicionam outra fase: a construção teórica, que seria o momento em que a organização melhora o processo implantado e o pesquisador elabora sua contribuição teórica. A última fase, o monitoramento, ocorre durante todo o ciclo, pois cada ciclo leva ao próximo de maneira que planejamento, implantação e avaliação são contínuos e o aprendizado também (Coughlan e Coghlan, 2002). Idealmente, os envolvidos na pesquisa‐ação estão monitorando os seis passos initerruptamente, inquirindo o que está acontecendo e como os passos são conduzidos. Enquanto o grupo está focado nos resultados práticos, o pesquisador preocupa‐se acerca de como o projeto está funcionando, monitora o processo de aprendizagem e questiona a pesquisa.

Por sua vez, Kuhne e Quigley (1997) propõem que a pesquisa‐ação seja formada por ciclos sucessivos de planejamento, ação e reflexão. Cada ciclo representa fases compostas por subfases, como exposto na figura 4.

Figura 4.
(0.34MB).

Fases da pesquisa‐ação.

Fonte: Adaptado de Kuhne e Quigley (1997).

A fase de planejamento envolve as definições do problema e do projeto e o processo de medição. A fase de ação contempla a implantação e a observação do projeto. A fase de reflexão consiste no processo de avaliação, que finda o processo quando a solução do problema é encontrada ou, caso contrário, inicia o segundo ciclo até encontrar a resolução. Kemmis e McTaggart (2007) explicam que o processo de pesquisa‐ação, mesmo que seja descrito nos termos de uma sequência de passos mecânica, é geralmente pensado para envolver uma espiral de ciclos autorreflexivos.

Pesquisa‐ação e outras estratégias de pesquisa qualitativaPesquisa‐ação versus pesquisa participante

Thiollent (1997) aborda a dicotomia entre pesquisa‐ação e pesquisa participante admitindo que aquela é enquadrada a essa como uma de suas vertentes. Portanto, depreende‐se, inicialmente, que toda pesquisa‐ação é pesquisa participante, mas nem toda pesquisa participante é pesquisa‐ação. O embate entre os “métodos” precisa ser reforçado através da seguinte diligência: deve‐se atentar para a especificidade da pesquisa‐ação em se tratando do seu comprometimento com a ação organizada.

A pesquisa participante, de acordo com Campos (1984), tem as seguintes características: valorização do saber do indivíduo, respeito pelo ritmo e pelo processo de construção do conhecimento vivido, e superação de barreiras relativas ao problema do grupo investigado. De modo geral, a diferençaa entre a pesquisa‐ação e a pesquisa participante é possível descrever como a concepçaão de pesquisa e intervenção em determinados setores de atuação social”, juntamente aos “atores significativos em processo de mudança”.

Do ponto de vista da articulação, é possível ainda diferenciar técnica participativa e estratégia participativa. Se a técnica participativa é compreendida como prática, o método, atrelado à elaboração da estratégia participativa, versa um roteiro previamente estruturado, com o emprego de múltiplas técnicas. Segundo Schmidt (2006), as ideias de ação e intervenção não são, por si sós, equivalentes. Todavia, elas sugerem que, além da presença do pesquisador como parte do campo investigado, há o outro.

Comparada à pesquisa participante, a pesquisa‐ação tem os seguintes aspectos: o processo de mudança e o resultado da intervenção exposto na forma de problema (Lima, 2005); trabalho contínuo de inter‐relacionamento entre organização; agente de mudança e comunidade científica com participação ativa in loco (Drago, 1989; Lima, 2005); e envolvimento direto de mudança para produção simultânea do conhecimento ao campo de estudo (Drago, 1989).

Incontestavelmente, na diferença entre pesquisa‐ação e pesquisa participante, fica claro que sujeito e objeto da investigação assumem posições ativas (Lima, 2005). Distintamente, na pesquisa participante, o investigado é passivo à avaliação do fenômeno quanto à interlocução com o pesquisador. Essa colocação enfatiza a reflexão de Menelau, Santos, Castro & Nascimento (2015), corroborando‐a. Os autores destacam que, nas estruturas metodológicas inerentes à pesquisa qualitativa no escopo da administração, a pesquisa‐ação é a que mais se aproxima da postura engajada com a geração de impactos significativos à realidade investigada.

Pesquisa‐ação e outros métodos qualitativos: quadro‐síntese

Como forma de amplificar a análise comparativa da pesquisa‐ação frente aos demais procedimentos ou abordagens qualitativas, nesta subseção encontra‐se a estruturação de quadro‐síntese onde os aspectos primários que diferenciam as pesquisas qualitativas são ressaltados. Segregando essas características, torna‐se possível compreender a aplicabilidade dos métodos e, inclusive, a extensão dos resultados. Esta proposta toma o trabalho desenvolvido por Mello (2014), que propõe o comparativo das abordagens inseridas dentro do espectro da pesquisa qualitativa: fenomenologia, etnografia, grounded theory, estudo de caso e pesquisa‐ação, como evidenciado na figura 5.

Figura 5.
(1.26MB).

Abordagens e procedimentos qualitativos: descrição comparativa.

Fonte: Adaptado e construído a partir de Mello (2014).

A leitura da síntese exposta na figura 5, permite compreender como o caráter particular de ruptura da pesquisa‐ação, no espectro das pesquisas qualitativas, foi constituído. A grande questão pertinente à pesquisa‐ação envolve justamente a continuidade, depois de conhecido o fenômeno estudado. Apenas ela detém o papel de interventor e modificador da realidade investigada. O “reclame” surge diante dos efeitos que a compreensão do fenômeno gera, por si só, limitada pela ausência da intervenção. A pesquisa‐ação, com isso, viabiliza a releitura ou a reconstrução das teorias partindo da realidade explorada. Esse “vai‐e‐vem” é percebido na grounded theory, mas a aplicabilidade não. O aspecto descritivo também se põe partilhado pelo estudo de caso, porém a mudança não ocorre. A profundidade reflexiva talvez não seja similar àquela demanda pela fenomenologia ou pela etnografia, no entanto, a pesquisa‐ação avança no compartilhamento de ideias e alimentação, ou retroalimentação, das perspectivas da pesquisa lançadas ao loco de estudo.

A pesquisa‐ação apresenta diversas semelhanças e diferenças, mesmo à luz da pesquisa participante, na qual se encaixa a etnografia. Todavia, a extrapolação da barreira entre pesquisa e ação define ou distingue essa estratégia de pesquisa ante as demais possíveis no polo metodológico da pesquisa qualitativa. A questão emergente, diante do exposto, é: por meio dessa característica (a intervenção), como a pesquisa‐ação foi retratada na academia? A seção subsequente descreve o panorama da produção científica sobre pesquisa‐ação no Brasil, no escopo da administração, visto que esse é um dos seus campos promissores para aplicação (Lima, 2005; Mello, 2014; Thiollent, 1997).

Levantamento da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa qualitativa

Este segmento do trabalho trouxe consigo, após as considerações sobre a pesquisa‐ação, a proposta de caracterizar a publicação com (e sobre) pesquisa‐ação. Adiante há uma síntese dos resultados decorrentes do esforço de mapear a produção acadêmica, de âmbito nacional, no tocante à pesquisa‐ação. Em paralelo, realizam‐se breves críticas em torno do “descasamento” entre as prerrogativas teóricas da pesquisa‐ação com aplicação e prática dessa estratégia de pesquisa.

Para o levantamento de artigos, incialmente, foram buscados os termos “pesquisa‐ação” e “action research” (entre aspas, para que a busca fosse pela palavra exata) nas bases de dados SciELO e SPELL. Contudo, os resultados foram limitados e não se mostraram condizentes com a realidade da pesquisa‐ação brasileira em administração e contabilidade. Por isso, em segundo momento, foram escolhidas revistas brasileiras das áreas citadas dos extratos, estabelecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamentos de Pessoal de Ensino Superior (Capes), A2, B1 e B2, por terem maior indicador de impacto e visibilidade no contexto nacional, visto que não existem revistas nacionais nível A1. Ao todo, 29 periódicos foram consultados nessa pesquisa.

Assim, pesquisaram‐se os termos “pesquisa‐ação” e “action research” (também entre aspas) em todos os campos nas revistas escolhidas. A busca inicial resultou em 73 artigos, porém foram eliminados, nessa etapa, sete desses, posto que três estavam indisponíveis, três eram editoriais e um era uma resenha bibliográfica, totalizando 66 artigos. Em seguida, foram extraídas as principais informações desses artigos através da leitura dos resumos e, quando necessário, da introdução ou método. A partir da leitura dos artigos, foram excluídos mais doze trabalhos por apenas citarem o termo no corpo do texto, sem explicá‐lo, ou nas referências. Portanto, a amostra é de 54 artigos.

Análise descritiva da produção em pesquisa‐ação

A primeira característica constituinte à análise descritiva preconizada expõe o número de publicações válidas para este trabalho sobre pesquisa‐ação quanto ao horizonte temporal de alcance do levantamento. A tabela 1 evidencia a heterogeneidade da produção científica sobre pesquisa‐ação no Brasil entre 1989‐2016.

Tabela 1.

Quantitativo de publicações com pesquisa‐ação no período de análise

1989  1990  1991  1992  1993  1994  1995  1996  1997  1998  1999  2000  2001  2002  Subperíodo 1 (1989‐2002)   
11% 
2003  2004  2005  2006  2007  2008  2009  2010  2011  2012  2013  2014  2015  2016  Subperíodo 2 (2003‐2016)   
48  89% 

Fonte: Dados da pesquisa.

Foram identificados 54 trabalhos nesses 28 anos, porém, com escassez ou nulidade da publicação sobre o tema em uma parcela considerável do período investigado. Com essa distribuição, é possível classificar a produtividade em dois grandes subperíodos: o primeiro de 1989‐2002, abarca apenas 11% das publicações; o segundo de 2003‐2016, contempla 89% dos trabalhos. Na primeira parte, além dos poucos estudos, percebe‐se a inconstância, pois em oito dos 14 primeiros anos não houve qualquer trabalho publicado. A consolidação da aplicação da pesquisa‐ação parece ter se dado na segunda parte, visto que a frequência de estudos cresce e se torna contínua, à exceção do ano de 2011, quando não houve registro de publicação. Esses resultados podem sinalizar o amadurecimento do uso de técnicas qualitativas voltadas à intervenção dentro do campo de estudos da administração no Brasil. Outro aspecto a se refletir é a transformação paradigmática da ciência, pois a abordagem metodológica deve estar alinhada com as concepções dos agentes produtores do conhecimento e dos problemas trabalhados por eles, demanda científica intrínseca. A percepção dos pesquisadores pode ter mudado, ou ainda a emergência de problemáticas que demandavam outras abordagens voltadas à compreensão do objeto estudado, suscitando o emprego da pesquisa‐ação como estratégia metodológica.

A tabela 2 demonstra a distribuição das publicações por extrato da área de administração, segundo a Capes, conforme parâmetros metodológicos definidos nesta análise

Tabela 2.

Publicações por extrato de classificação da Capes

Extrato dos periódicos  Publicações
A2  18  33% 
B1  14  26% 
B2  22  41% 
Somatório  54  100% 

Fonte: Dados da pesquisa.

A tabela 2 sinaliza a existência da concentração de publicações no extrato inferior (B2), em detrimento dos demais extratos (A1 e B1). A evidência poderia indicar, não necessariamente, maior entrada dos estudos acadêmicos em pesquisa‐ação nesse grupo de periódicos. No entanto, a avaliação precisa sobre esse aspecto não foi contemplada pelo presente trabalho e poderia ser viabilizada por um comparativo na produção por período. Pensa‐se que a estratégia da pesquisa‐ação, devido aos vieses metodológicos a ela inerentes, poderia ser mais ou menos “aceita” em determinadas áreas do conhecimento. Com base nisso, a tabela 3 expõe de que modo a produção está distribuída por subáreas do conhecimento.

Tabela 3.

Subáreas do conhecimento referentes aos trabalhos sobre pesquisa‐ação

Subáreas do conhecimento  Trabalhos
Estudos organizacionais  12  22% 
Administração da produção  15% 
Ensino e pesquisa em administração e contabilidade  13% 
Contabilidade  11% 
Administração pública  9% 
Estratégia  9% 
Gestão de pessoas  7% 
Inovação  6% 
Administração da informação  2% 
Administração geral  2% 
Logística  2% 
Marketing  2% 
Somatório  54  100% 

Fonte: Dados da pesquisa.

Denota‐se, na tabela 3, certa polarização no uso da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa. São os estudos organizacionais e a administração da produção que têm os maiores números de publicações no período, 37% conjuntamente. Pode ser que o caráter prático da pesquisa‐ação se faça, ao mesmo tempo, barreira ou trampolim para essa ou aquela subárea do conhecimento, explicando essa distribuição. Áreas como administração geral, logística e marketing, por exemplo, aparentemente não usufruiriam integralmente as oportunidades ofertadas devido ao emprego da abordagem. Essas áreas devem, naturalmente, refletir os periódicos onde os trabalhos foram publicados, pensando‐se em regulação dentro do processo de avaliação dos estudos. A tabela 4, por sua vez, especifica os 29 periódicos‐base de coleta das publicações.

Tabela 4.

Revistas investigadas por extrato e respectivo número de publicações

A2  Trabalhos
Revista de Administração Pública  22% 
Cadernos EBAPE.BR (FGV)  17% 
RAE ‐ Revista de Administração de Empresas  17% 
Organizações & Sociedade  11% 
Revista de Administração (FEA‐USP)  11% 
RAC ‐ Revista de Administração Contemporânea  6% 
Revista Brasileira de Gestão de Negócios  6% 
Revista Contabilidade & Finanças  6% 
BAR. Brazilian Administration Review  6% 
Somatório  18  100% 
B1  Trabalhos   
Revista de Administração Mackenzie  36% 
REAd. ‐ Revista Eletrônica de Administração  21% 
RCO ‐ Revista de Contabilidade e Organizações  21% 
Enfoque: Reflexão Contábil  14% 
Gestão & Produção  7% 
BBR. Brazilian Business Review  0% 
Contabilidade Vista & Revista  0% 
Revista Contemporânea de Contabilidade  0% 
Revista Universo Contábil  0% 
Somatório  14  100% 
B2  Trabalhos   
Produção  27% 
RAI: Revista de Administração e Inovação  14% 
Revista de Ciências da Administração  14% 
Faces: Revista de Administração  9% 
REA Revista de Administração da UFSM  9% 
Advances in Scientific and Applied Accounting  5% 
Administração Pública e Gestão Social  5% 
Base: Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos  5% 
Gestão & Regionalidade  5% 
Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional  5% 
Revista de Administração da Unimep  5% 
Somatório  22  100% 

Fonte: Dados da pesquisa.

Deve‐se ressaltar, a partir da tabela 4, que foram quatro as revistas pesquisadas que não tiveram qualquer trabalho no período. Majoritariamente, os periódicos de administração “dominam” a produção sobre pesquisa‐ação. Demais periódicos especificamente relacionados à contabilidade ou à engenharia de produção, por exemplo, emergem secundariamente nesse agrupamento de revistas. Vale ressaltar que o periódico Produção detém o maior número de trabalhos publicados no período, seguido pela Revista de Administração Mackenzie e pela Revista de Administração Pública.

Sobre o método dos trabalhos, a tabela 5 os classifica quanto às análises feitas. Deve‐se evidenciar que nem todos os estudos eram claros quanto à classificação, restringindo assim a classificação estabelecida sob o ponto de vista do aspecto metodológico e propósito a que faziam alusão os trabalhos.

Tabela 5.

Classificação dos estudos segundo a abordagem feita

Análises  Trabalhos
Teórico‐empírico  40  74% 
Teórico  11  20% 
Bibliométrico  6% 

Fonte: Dados da pesquisa.

A tabela 5 demonstra a preponderância dos trabalhos de cunho teórico‐empírico, em razão, talvez, dos aspectos práticos da pesquisa‐ação. Deve‐se observar que uma parte desses estudos recorreu à não materialização do método da pesquisa‐ação em si, usando a abordagem teórica e a bibliometria para estudar suas problemáticas. A imprecisão em torno dos aspectos de aplicação da pesquisa‐ação foi uma marca observada na maioria dos estudos. A próxima ilustração, tabela 6, busca evidenciar todas as estratégias vinculadas à pesquisa‐ação para a realização dos estudos.

Tabela 6.

Estratégias identificadas nas pesquisas

Classificação  Trabalhos
Identificados apenas com a pesquisa‐ação  26  48% 
Identificados com a pesquisa‐ação combinada  14  26% 
Combinada com “Grounded theory”  2% 
Combinada com “Estudo de caso”  11  20% 
Combinada com “Pesquisa experimental”  2% 
Combinada com “Pesquisa emancipatória”  2% 
Total identificado  40  74% 
Total não identificado  14  26% 

Fonte: Dados da pesquisa.

A tabela 6 descreve que a pesquisa‐ação é a estratégia central dos estudos, mas com a evidência apresentada, sabe‐se que não necessariamente houve aplicação da estratégia. Faz‐se necessário expor ainda que a pesquisa‐ação pode ser combinada com outras possibilidades de investigação. Em 26% dos trabalhos, apesar de haver menção à pesquisa‐ação, a identificação da estratégia se mostrou prejudicada devido à ausência da aplicação (estudos teóricos ou ainda estudos de cunho bibliométrico). Por outro lado, 74% dos trabalhos identificaram e aplicaram as estratégias. São 26% os trabalhos que recorrem à pesquisa‐ação como estratégia combinada. Há mais frequência nas abordagens do estudo de caso e menor frequência em grounded theory, pesquisa experimental e emancipatória. Essa evidência reforça a ideia de que a pesquisa‐ação, como estratégia de pesquisa, passou a ser mais demandada e discutida no campo do conhecimento. A tabela 7, por fim, demonstra quais técnicas de coleta foram empregadas nessas pesquisas.

Tabela 7.

Técnicas de coleta de dados usadas nas pesquisas

Técnica de pesquisa  Trabalhos 
Observação  22 
Entrevista  21 
Pesquisa documental  17 
Grupo focal 
Reuniões 
Diários de pesquisa 
Pesquisa bibliográfica 

Fonte: Dados da pesquisa.

Com relação aos dados, dos 40 artigos teórico‐empíricos, 32 apresentaram como os dados foram coletados. A tabela 7 indica as técnicas usadas. A observação e a entrevista se destacam, o que é bastante coerente com a abordagem escolhida (pesquisa‐ação), que requer dados primários devido à necessidade de compreender o problema existente e de ouvir os participantes da organização. Os dados secundários também enriqueçam a pesquisa, tanto que a pesquisa documental foi bastante explorada. Porém, apenas quatro trabalhos identificam como os dados foram analisados. Desses, três usam a análise de conteúdo e um opta pela análise de discurso. Deve‐se relatar que essas técnicas são usadas comutativamente e corroboram a aplicabilidade da pesquisa‐ação na solução de problemas.

Há uma significativa amplitude de possibilidade de desenvolvimento da pesquisa‐ação, no que se refere à coleta dos dados. A pesquisa‐ação demanda múltiplos dados, primários ou secundários, sob diversificados e alternados enfoques, devido à intervenção, e essas características possibilitam o evidenciado na tabela 7. Ao pesquisador cabe se munir com as evidências adequadas para um correto diagnóstico das realidades investigadas e isso reflete na sua proposta de intervenção–foco da pesquisa‐ação.

Análise descritiva das autorias dos artigos

Como parte do levantamento de artigos sobre pesquisa‐ação no campo de administração no Brasil, faz‐se necessário considerar os autores que escreveram tais trabalhos. Os 54 artigos foram elaborados por 132 autores. Desses, atualmente, 89 são doutores, 25 são mestres, 13 não têm registro na plataforma Lattes, três são doutorandos, um é especialista e um é graduado. Dos doutores, 27 são doutores em administração, 19 em engenharia de produção, nove em controladoria e contabilidade, cinco em ciências sociais e os demais estão distribuídos em áreas do conhecimento como direito, economia, educação, psicologia, engenharia mecânica, entre outras. Entre os mestres, 13 têm mestrado em administração, seis em engenharia de produção e os demais fizeram cursos em outras áreas, como contabilidade e controladoria. A maioria deles, 102, 84 doutores, 17 mestres e um doutorando, está vinculada a universidades como professores, enquanto 17 não mantêm vínculos com universidades. Esses professores distribuem‐se por várias universidades brasileiras e nenhuma se destaca. Na área de administração não há “especialista” em pesquisa‐ação, considerando o número de publicações sobre o tema, visto que apenas cinco autores têm dois artigos e os demais apenas um.

Requisitos da pesquisa‐ação

A tabela 8 faz menção à identificação dos requisitos da pesquisa‐ação nos estudos do levantamento, evidenciando‐se um “perfil” da aplicação dessa estratégia, como é proposto nesta investigação.

Tabela 8.

Requisitos da pesquisa‐ação identificados nos estudos

Aspectos que caracterizam a aplicação da pesquisa‐ação como estratégia  Trabalhos
Apresentam um problema para intervenção?  23  43% 
Há pesquisadores e participantes envolvidos?  23  43% 
Há resolução do problema?  23  43% 
Houve relato de mudança?  10  19% 
Existe a conexão de uma teoria com o problema solucionado?  16  30% 
Há o processo contínuo de planejamento, ação e avaliação?  11  20% 

Fonte: Dados da pesquisa.

Buscou‐se identificar no levantamento as características da pesquisa‐ação presentes nos artigos aqui analisados. As características procuradas foram: (i) identificação de um problema, (ii) resolução de um problema, (iii) participação de pesquisadores e membros da organização durante o processo de pesquisa, (iv) existência de mudança, (v) conexão com teorias e (vi) ocorrência do processo cíclico de planejamento, ação e avaliação. Essas características foram enumeradas a partir da literatura investigada, por serem consideradas requisitos mínimos capazes de qualificar a aplicação da estratégia da pesquisa‐ação nas pesquisas conforme os estudos de Adams et al. (2006), Baldissera (2001), Kuhne e Quigley (1997), Macke (2006), Melrose (2001), Thiollent (2008) e Tripp (2005). De acordo com a tabela 8, verifica‐se que, apesar do emprego do termo “pesquisa‐ação”, nota‐se que a produção científica analisada é demarcada por limitações quanto aos requisitos relativos à aplicação da pesquisa‐ação.

Constatou‐se que menos da metade do grupo de trabalhos analisados dispôs de problema para intervenção, teve a participação de pesquisadores e participantes relatada e mencionou que houve a resolução de um problema. Ainda nesse universo, apenas 19% das pesquisas descreveram a ocorrência de mudança consequente da pesquisa‐ação. São 30% os estudos que mencionam a conexão entre uma teoria anterior e o problema eventualmente solucionado. Além disso, apenas um quinto das pesquisas retratou o processo de planejamento, ação e avaliação, mecanismo de controle e aperfeiçoamento da aplicação da pesquisa‐ação. Esses resultados podem sugerir que nas áreas da administração e contabilidade, no Brasil, ainda se sabe pouco sobre pesquisa‐ação e a sua aplicação como estratégia de pesquisa. Praticamente metade dos artigos teóricos‐empíricos que se propõem a usá‐la como estratégia de pesquisa não atendem aos pré‐requisitos necessários para sua feitura. Muitos autores acabam por fazer um estudo de caso, mas o definem como pesquisa‐ação, ou fazem um design research, que é bem semelhante à pesquisa‐ação, mas como resultado, em vez de uma mudança, deveria haver um artefato.

Segundo De Sordi e Meireles (2010), a prática da pesquisa‐ação é escassa em virtude das suas próprias características: envolvimento direto do pesquisador com o lócus de estudo, a prerrogativa de existência de problemática que interesse comumente pesquisador e pesquisado, além da dificuldade de evolução colaborativa da pesquisa. Esses traços acabam balizando, de certa forma, a disseminação da pesquisa‐ação nos campos da administração, e principalmente na contabilidade, onde algumas estratégias de pesquisa podem ser preferíveis em virtude dos objetos estudados. Essa conjuntura pode sugerir a fragilidade na adoção dos conceitos que são intrínsecos à pesquisa‐ação, como foi observado. A dificuldade desses pesquisadores na execução da pesquisa‐ação em sua integridade alimenta dúvida quanto ao desconhecimento das suas características, como expõem De Sordi e Meireles (2010). Uma questão pertinente no campo de estudo gira em torno das evidências que podem demonstrar se a suposta incipiência de conhecimento dos principais aspectos da pesquisa‐ação gera a baixa aplicação; ou se é a fraca adesão à pesquisa‐ação que contribui para o não desenvolvimento dos conceitos‐chave.

No entanto, para Menelau et al. (2015), que estudaram sobre a aplicação da pesquisa‐ação na administração, o conceito de pesquisa‐ação é reconhecido e internalizado pelos autores. A problemática reside mais no relato de sua aplicação, que é tomada como deficiente. Com isso, não se poderia afirmar que os pesquisadores brasileiros não têm o conhecimento do processo correlato à pesquisa‐ação, sobretudo se é considerada a concepção de que deve haver um engajamento contínuo, evolutivo e comprometido dos indivíduos entre si e consigo mesmos em relação ao conhecimento dessa estratégia de pesquisa. Esses pontos de partida para novas discussões reiteram a proeminência das reflexões sobre “o que” e “como” a pesquisa científica é feita, tanto na administração, como na contabilidade (Menelau et al., 2015).

Corroborando a discussão e os resultados desta pesquisa, Freitas et al. (2010) lembram que a não compreensão dos pressupostos da prática da pesquisa‐ação desencadeiam o emprego equivocado do termo nas pesquisas.

Considerações finais

Este trabalho centrou‐se na descrição e na discussão dos principais pontos referentes à consecução da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa para o campo da administração. Para tanto, abordou‐se a origem desta estratégia de pesquisa, bem como sua definição, características e limitações, planejamento e comparação com outros métodos, findando com um breve levantamento sobre a produção de trabalhos que mencionaram o uso da pesquisa‐ação como estratégia de pesquisa nas áreas da administração e contabilidade no Brasil.

A pesquisa‐ação consolidou‐se nos anos 1960 na América Latina. Assim, em relação a outros métodos, como estudo de caso e etnografia, é uma estratégia bastante recente, ainda pouco difundida e aplicada entre os pesquisadores. Embora existam características muito marcantes da pesquisa‐ação como a necessidade do envolvimento do pesquisador na resolução de um problema e com os demais participantes do projeto e a implantação e a manutenção de uma mudança, ainda há muita confusão sobre o que de fato é pesquisa‐ação, sendo habitual encontrar artigos com definições destoantes e nomenclaturas híbridas, que mudam de acordo com cada propósito. Nos artigos analisados havia junção forçada da pesquisa‐ação com a pesquisa participante e o estudo de caso (em geral), criando assim novas denominações para as estratégias, como, por exemplo: “pesquisa‐ação participante”; “estudo de caso a partir das ferramentas da pesquisa‐ação”; “estudo de caso múltiplo do tipo pesquisa‐ação”; “estudo de caso sob a égide da técnica da pesquisa‐ação”; “estudo de caso desenvolvido por meio de uma pesquisa‐ação”; e “pesquisa participante do tipo pesquisa‐ação”.

Tal situação é decorrente da falta de conhecimento dos atributos deste tipo de pesquisa e, também, do número reduzido de trabalhos, sendo, consequentemente, pouco difundida na academia. Ademais, o processo de pesquisa‐ação pode ser longo e cheio de percalços, sendo imprescindível investir tempo nas relações com os demais participantes implicados, pois estes conhecem a realidade da organização e a implantação do projeto depende de seu envolvimento integral. Este processo, aliás, é cíclico, ou seja, repete‐se inúmeras vezes até que a mudança planejada de fato ocorra, e é composto, basicamente, por três fases: planejar, agir e avaliar. Porém, os autores abordam de maneiras diversas, estendem ou resumem o processo.

A pesquisa‐ação é uma estratégia de pesquisa extremamente rica, pois permite que o pesquisador explore a situação da organização antes, durante e depois da mudança, provendo‐o de uma perspectiva longitudinal dificilmente encontrada com o auxílio de outras estratégias mais populares. Soma‐se a isso a ampla gama de possibilidades de meios para coletar dados, valendo‐se tanto de dados primários quanto secundários. Destaca‐se ainda que o resultado desta pesquisa tem duas vertentes: a mudança para a organização e a teoria para o pesquisador. Destaca‐se a importância, para o pesquisador, dos processos de aprendizagem, de geração de conhecimento e de teorização provenientes da realização do projeto.

Como mostrado neste breve levantamento, ainda existe muito a ser explorado usando a pesquisa‐ação em administração e contabilidade, visto que é aplicável em diversos contextos, especialmente no estudo das organizações. Obviamente, para isso, é imprescindível a maior proximidade entre pesquisadores, e, consequentemente, universidade, o “mercado” e a práxis.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Agradecimentos

Os dois primeiros autores agradecem à Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

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A revisão por pares é da responsabilidade do Departamento de Administração, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA/USP.

Autor para correspondência. (José Glauber Cavalcante dos Santos jglauber_cont@hotmail.com)
Copyright © 2017. Departamento de Administração, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo ¿ FEA/USP
Revista de Gestão.2017;24:336-47 - Vol. 24 Num.4 DOI: 10.1016/j.rege.2017.07.002