Revista de Gestão Revista de Gestão
Revista de Gestão 2017;24:360-70 - Vol. 24 Num.4 DOI: 10.1016/j.rege.2017.02.001
Human Resources and Organizations
About the relation between transgender people and the organizations: new subjects for studies on organizational diversity
Da Relação Entre Pessoas Transgêneras e a Organização: novos sujeitos para os estudos sobre diversidade organizacional
Maria Carolina Baggio
Universidade de São Paulo, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, São Paulo, SP, Brazil
Received 01 December 2016, Accepted 02 February 2017
Abstract

The “Organizational Diversity” field concentrates studies on the experiences of groups that are different from the archetypical male, white, heterosexual, cisgender, able-bodied and western worker. When analysing the studies regarding gender relations, however, one perceives their concentration on the dynamics between men and women localized in developed western countries. Transgender persons are persons whose identity and/or gender expression differs from what is socially attributed to their bodies, breaking with the heteronormative logic. In Brazil, where only the bodies within this discourse are legitimate, this group is systematically excluded from a myriad of spaces including the formal job market. Therefore, the experiences of these people at and with work are invisible to organizational diversity's theory and practice. To explore this issue, this study analyses the perceptions that the transgender person maintains about their relations (1) with their professional history, (2) with other people in their work environment, and (3) with organizational policies and practices. Face-to-face semi-structured interviews were made with six transgender persons that work in organizations. From these narratives, it was found that the person's level of passing usually influences their relations and that the ignorance regarding transgenderity permeates all three domains of relations. The conclusions are: (1) the relations with work are marked by opportunity restrictions; (2) the relations in the job hold the person responsible for their on intelligibility and safety; and (3) the relations with the organization vary according to the way it faces transgenderity and its own voice systems.

Resumo

O campo “Diversidade nas Organizações” concentra estudos sobre vivências de grupos diferentes do trabalhador arquetípico homem, branco, heterossexual, cisgênero, capacitado, ocidental. Analisando-se os estudos sobre as relações de gênero, contudo, percebe-se sua concentração na dinâmica entre homens e mulheres e em países ocidentais desenvolvidos. Pessoas transgêneras são pessoas cuja identidade e/ou expressão de gênero difere do esperado socialmente a partir de seu corpo, rompendo com a lógica heteronormativa. No Brasil, onde apenas os corpos dentro desse discurso são legítimos, esse grupo é sistematicamente excluído de diversos espaços, incluindo o mercado de trabalho formal. Assim, temos que as vivências dessas pessoas com e no trabalho são invisibilizadas na teoria e prática da diversidade organizacional. Para explorar essa problemática, este estudo analisa as percepções que a pessoa transgênera mantém sobre suas relações [1] com sua história profissional, [2] com as outras pessoas no ambiente de trabalho e [3] com as políticas e práticas da organização. Realizaram-se entrevistas presenciais semiestruturadas com seis pessoas transgêneras que trabalham em organizações. A partir das narrativas obtidas, constatou-se que o nível de passabilidade da pessoa geralmente influencia suas relações e que a ignorância sobre a transgenereidade permeia os três âmbitos de relações. Conclui-se que [1] as relações com o trabalho são marcadas pela restrição de oportunidades; [2] as relações no emprego entregam à pessoa a responsabilidade pela própria inteligibilidade e segurança; e [3] as relações com a organização variam de acordo com a maneira como esta encara a transgenereidade e os sistemas de voz.

Keywords
Organizational diversity, Gender relations, Transgender people
Palavras-chave
Diversidade nas Organizações, Relações de gênero, Pessoas transgêneras
Revista de Gestão 2017;24:360-70 - Vol. 24 Num.4 DOI: 10.1016/j.rege.2017.02.001